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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A GARRAFA

Que importa o caminho

da garrafa que atirei ao mar?

Que importa o gesto que a colheu?

Que importa a mão que a tocou

— se foi a criança

ou o ladrão

ou filósofo

quem libertou a sua mensagem

e a leu para si ou para os outros.



Que se destrua contra os recifes

eu role no areal infindável

ou volte às minhas mãos

na mesma praia erma donde a lancei

ou jamais seja vista por olhos humanos

que importa?

... se só de atirá-la às ondas vagabundas

libertei meu destino

da sua prisão?...