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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

V-711/ Fundo/Natureza Morta/ Calenda


V-711

A prosa do mundo grita a céu aberto nada.

Assim suspende-se o vôo nas nuvens, com os motores

quase parando, puro barulho dentro. Antes ou depois,

as luzes que esperam sempre piscam.

FUNDO

No fundo se geme? Qualquer céu quer perguntar,

por simples cuidado com o que é incontido,

mas as coisas já estão aqui, sem responder,

na senha de cada representação.



NATUREZA MORTA



As formas guardam toda a memória

para os ecos, para os dentros que riscam.

Sob a suspeita de que não voltem mais.

De outra forma, não seria possível a morte.


CALENDA


Agora que o tempo se escuta e é de vidro

no fundo dos olhos, um véu disparado

pelos dardos de uma música cega que percorre

tudo, agora que o tempo fere, fala.