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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Os últimos quatro casais de pé na maratona de dança de Chicago, que durou cerca de dois meses, no ano de 1930.



A depressão econômica nos Estados Unidos fez muitas pessoas tomarem medidas drásticas para sobreviver. Popularizaram-se no país as maratonas de dança, competições públicas em que casais dançavam por dias a fio, desafiando os limites dos seus corpos diante de uma platéia animada. Em um período de fome e desespero, tais concursos escondiam uma agressividade e uma violência social usualmente não associadas aos salões de dança.

Muitos eram atraídos somente pela comida grátis oferecida, em uma época em que sete refeições ao dia era reservado a poucos. As refeições eram servidas em uma mesa na altura do peito para que os competidores comessem em pé.

Os competidores a cada hora podiam descansar por 15 minutos. Esse era o tempo que dispunham para dormir, sentar, tomar banho. As regras da maratona eram que os pés continuassem em movimento e que os joelhos dos competidores nunca tocassem o chão, pois acarretaria desclassificação imediata. Para encorajar os casais mais atrasados para continuar se movendo, em casos extremos, os parceiros eram presos por amarras para evitar que se afastassem. Algumas mulheres carregavam seus parceiros que caiam no sono, apesar da desigualdade de altura e peso.

Uma banda ao vivo tocava nas noites, enquanto fonógrafos eram suficientes durante o dia. Tais provas de resistência atraiam grandes multidões. Comediantes profissionais também entretiam a multidão. Nestas competições, havia uma mistura de candidatos locais amadores (e muitas vezes desesperados) com maratonistas profissionais. O preço de entrada de 25 centavos oferecia ao público a novidade na era da Depressão de se sentir superior em relação a alguém.

A cidade de Seattle aprovou uma lei proibindo maratonas de dança dentro dos seus limites em 5 de setembro de 1928. Esta portaria foi motivada pela tentativa de suicídio de uma mulher que tinha competido em uma maratona de 19 dias realizada no Arsenal de Seattle, e classificada apenas em quinto lugar.

Uma buzina sinalizava o período de descanso e os competidores saíam da pista de dança para áreas de descanso segregados por sexo. Os participantes treinaram-se para cair imediatamente em sono profundo logo que seus corpos tocavam as camas. Após 11 minutos, a buzina soava novamente e os competidores voltavam para a pista de dança para começar mais uma hora. As competidoras que não acordavam no final de 11 minutos eram revividas com sais de cheiro (e tapas), e os concorrentes do sexo masculino eram muitas vezes mergulhados em uma banheira de água gelada.

A fadiga intensa levava muitos a um estado semelhante ao coma. Durante estes episódios, competidores alucinados ficavam histéricos ou tinham delírios de perseguição, falando com companheiros imaginários e sorrindo vagamente.

Nas últimas horas, até mesmo os profissionais usavam truques para manter-se mutuamente de pé, como alfinetadas, tapas e beliscões. Devido ao esforço e cansaço algumas pessoas morreram durante a maratona e outras caíram em coma. No final dos anos 1930, as maratonas de dança foram proibidas na maioria dos estados dos EUA.

Segundo um ex-maratonista, que participou pela primeira vez aos 14 anos: "Nossa degradação foi entretenimento; sadismo era sexy; masoquismo foi talento".

No seu apogeu, as maratonas de dança estiveram entre as formas mais controversas de entretenimento ao vivo da América. A maior de todas, representada na imagem, aconteceu em Chicago e durou 1. 638 horas, equivalente a setenta dias.