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domingo, 13 de janeiro de 2013

Soneto



Augusto dos Anjos




Ouvi, senhora, o cântico sentido
 Do coração que geme e s´estertora
 N´ânsia letal que mata e que o devora
 E que tornou-o assim, triste e descrido.
 Ouvi, senhora, amei; de amor ferido,
 As minhas crenças que alentei outrora
 Rolam dispersas, pálidas agora,
 Desfeitas todas num guaiar dorido. 
E como a luz do sol vai-se apagando! 
E eu triste, triste pela vida afora,
 Eterno pegureiro caminhando,
 Revolvo as cinzas de passadas eras,
 Sombrio e mudo e glacial, senhora, 
Como um coveiro a sepultar quimeras!