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quinta-feira, 14 de março de 2013

A VIDA ARDENTE

"Meu coração, eu o preenchi com o belo tumulto humano. Tudo o que foi vivo e ofegante na terra, audácia louca, vontade surda, ardor austero e a revolta de ontem e a ordem de amanhã não esfriou-os, para poder julgá-los, meu pensamento. Carvões escuros, transformei-vos num grande fogo de ouro, exaltando apenas sua chama e seu volante crescimento, que misturavam seu esplendor à vida angustiada. E vós, iras, virtudes, vícios, fúrias, desejos, eu acolho a todos vós com todos vossos contrastes, para que seja mais longo, mais complexo e mais vasto o maravilhoso frêmito que me fez estremecer. Meu próprio coração só vive bem quando se esforça. A humanidade total necessita de um tormento que aja sobre ela com furor, como um fermento, para ampliar-lhe a vida e levantar-lhe a força."

Émile Verhaeren (1855-1916)