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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

INTERMEZZO



Fátima Irene Pinto


Sinto-me brutalmente bloqueada
em todo e qualquer nível de expressão.
Olho para trás em busca de situações e sentimentos
que esvaneceram-se contra a minha vontade.
Não posso resgatá-los,
não os alcanço mais.

Eu já os exauri, esgotei,
e confesso que nem sei onde venci ou fracassei.
Olho para frente e me perco na escuridão.
Nada se configura, além de amorfas
conjecturas de possíveis sonhos que ainda não sonhei.

Dentro e fora de mim, um vazio insustentável...
acho que cristalizei.
Então, aquieto-me na minha dor,
que de tanta e de tão grande,
encolhe-me ao estado de embrião.

Volto ao útero da "Grande Mãe",
levando comigo sementes infinitas em gestação.
E espero em espasmos, dolorida,
a última contração que me fará renascer...
viver...pra de novo morrer!