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domingo, 21 de abril de 2013

Mais que uma casa.




Resolvi morar onde talvez ninguém morasse. Decidi construir uma casa onde as paredes são desnecessárias, porque limitam meus sentidos mais preciosos. No alicerce escolhi sedimentar pedras sólidas de sentimentos puros, nobres e sinceros. Este lar teria o tamanho dos meus sonhos, dos meus desejos e por isso não caberia em terreno que se possa medir. De frente ele teria a medida do infinito, de fundo ele se estenderia pela eternidade. A vista que se teria deste lugar, olho nenhum seria capaz desfrutá-lo, sem que uma lágrima de êxtase rolasse em direção ao chão. Este meu canto em que me esconderia, deixou der ser meu quando encontrei alguém que construía uma casa exatamente como a minha. Quando pensei que, como louco, era o único que ousava tamanha proeza, me convenci de que este sonho só teria sentido se fosse compartilhado com alguém, que como eu, escolhi a felicidade como digna moradia. Mal sabia que nossos terrenos imensuráveis eram vizinhos e que se uniam sem cercas e nem muros que nos separassem. Tudo ficou mais fácil, quando descobrimos que os materiais, que até então havíamos escolhido para edificar tal construção, eram exatamente os mesmo: cimento à base de muito amor, tijolos feitos de carinho e respeito, areia repleta de admiração e uma liga raríssima de desejo incontrolável que sedimentaria toda nossa casa e a transformaria no melhor lugar pra se viver. No nosso quintal decidimos plantar um jardim de flores simples, mas completamente necessárias para embelezar o que já era muito belo. Lírios de olhares silenciosos, rosas de paixão incondicional, flores do campo repletas de alegria e sorrisos e no meio destas flores frugais plantamos uma de rara beleza e extrema delicadeza: uma orquídea branca de tranquilidade e paz, que não acha em canto algum. Em nossa horta, decidimos plantar só o que nutrisse nossa alma e nosso espírito e que nos enchesse sempre de esperança de expectativas de dias sempre melhores. Esta casa já começou a ser construída e como tem a nossa cara, o nosso jeito, o nosso olhar, nunca permitiremos que mais alguém ajude nesta obra. Ela é só nossa e por mais trabalho que dê, ela será erguida com as nossas mãos, com o nosso suor com muito trabalho, mas com a certeza plena de que depois de concluída, se é que algum dia ela será concluída, sentaremos juntos num banquinho de frente para a nossa obra prima e talvez cansados, mas muito realizados olharemos um para o outro e diremos bem baixinho: Valeu a pena meu amor!