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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quando a luz dos olhos meus


E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
(Vinícius de Moraes)

Ryan nasceu no Canadá, em maio de 1991.



Quando pequeno, na escola, com apenas seis anos, sua professora lhes falou sobre como viviam as crianças na África.

Profundamente comovido ao saber que algumas até morrem de sede, sendo que para ele próprio bastava ir a uma torneira e ter água limpa.

Ryan perguntou a professora quanto custaria para levar água para a Africa, e a professora lembrou que havia uma organização chamada "WaterCan", que poderia fazer poços custando cerca de 70 dólares.

Quando chegou em casa, foi direto a sua mãe Susan e lhe disse que necessitava de 70 dólares para comprar um poço para as crianças africanas. Sua mãe disse que ele deveria conseguir o dinheiro pelo seu esforço, e deu-lhe tarefas em casa com as quais Ryan ganhava alguns dólares por semana.

Finalmente reuniu os 70 dólares e foi para a "WaterCan". Quando atenderam, disseram-lhe que o custo real da perfuração de um poço era de 2.000 dólares.. Susan deixou claro que ela não poderia lhe dar todo esse dinheiro, mas Ryan não se rendeu e prometeu que voltaria com os 2.000.

Passou a realizar tarefas na vizinhança e acumulando dinheiro, o que contagiou seus irmãos, vizinhos e amigos, que puseram-se a ajudar. Até reunir o dinheiro necessário. E em janeiro de 1999 foi perfurado um poço numa vila ao norte de Uganda.

Quando o poço ficou pronto, a escola de Ryan começou a se
corresponder com a escola que ficava ao lado do poço. Assim Ryan conheceu Akana: um jovem que lutava para estudar a cada dia. Ryan cativado, pediu aos pais para viajar para conhecer Akana. Em 2000, chegou ao povoado, e foi recebido por centenas de pessoas que formavam um corredor e gritavam seu nome.
- Sabem meu nome? - Ryan surpreso pergunta ao guia.
- Todo mundo que vive 100 quilômetros ao redor sabe. respondeu.

**

Hoje em dia Ryan, com quase 22 anos, tem sua própria fundação e já levou mais de 400 poços para a Africa. Encarrega-se também de proporcionar educação e de ensinar aos nativos a cuidar dos poços e da água.

**

UM GAROTO DE SEIS ANOS E UM SONHO. PRECISA DIZER MAIS???

(via 'Quer Café?')

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Posso escrever os versos mais tristes esta noite


(Pablo Neruda)

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada
e calafrio, azul, as estrelas, a distância. "
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a amava, e às vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a de novo e de novo sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado seus grandes olhos ainda.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
E pensar que eu não tenho. Sinto que eu perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como o orvalho para o pasto.
Não importa que meu amor não pudesse manter.
A noite é quebrado e ela não está comigo.
É isso aí. À distância alguém canta. À distância.
Minha alma está perdido sem ela.
Como se para trazer a minha pesquisa olhos.
Meu coração procura-a, e ela não está comigo.
Na mesma noite branqueamento as mesmas árvores.
Nós, da época, não são mais os mesmos.
Eu não a amo, é verdade, mas como eu a amava.
Minha voz procurou o vento para tocar sua audição.
Outro. Ser de um outro. Como antes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Sua brilhante.
Eu não a amo, é verdade, mas talvez eu a amo.
O amor é tão curta, e esquecer é tão longo.
Porque em noites como esta eu a segurei em meus braços,
minha alma está perdida sem ela.
Embora esta seja a última dor que ela me causa,
e estes versos os últimos que eu escrever.

INSTINTO

 ESPANHOL RAFAEL CAMARASA



O meu animal não é diferente dos outros. Não entende causas nem razões. De leis físicas que explicam, por exemplo, o teu rebolar quando caminhas. Vê que as tuas ancas se movem e curioso gosta de ver se te afastas e te perdes feita pérola entre pedras. Agora deixa o novelo de vísceras, com o qual brincava no meu interior, e observa uma gota de chuva deslizando no vidro. Nem desconfia que há forças que o fazem seguir esse curso: ama a sua imprevisível constituição com o mesmo mistério com que a odiará. Uma noite destas pode deixar que faças com a sua pele uma bolsa. Contudo se lhe perguntares o motivo não saberia o que te rugir ou miar. Se pretende alguma coisa são os teus joelhos e o tacto dos teus dedos no seu dorso. E, como eu, lamber-te-á as feridas, ainda que não possa explicá-las.



RESISTÊNCIA



Telefonou para dizer que me envia um poema pelo correio. “Não interessa se o vais ler. É o de menos”, explica-me. “Imagina-o apenas na sua viagem selado por máquinas infalíveis; classificado por funcionários conforme procedimentos e normas. No fundo de um saco sujo, entre publicidade e facturas, seguindo os trâmites de um mundo que repele por natureza. Não é como um raio de sol na bruma de um romance das Brontë?”. Hoje recebi o envelope com a sua franquia regulamentar, e no interior uma pequena folha de papel dobrada pela metade. É certo que estava em branco e não havia poema algum, porém não posso afirmar que nele faltasse poesia.

V-711/ Fundo/Natureza Morta/ Calenda


V-711

A prosa do mundo grita a céu aberto nada.

Assim suspende-se o vôo nas nuvens, com os motores

quase parando, puro barulho dentro. Antes ou depois,

as luzes que esperam sempre piscam.

FUNDO

No fundo se geme? Qualquer céu quer perguntar,

por simples cuidado com o que é incontido,

mas as coisas já estão aqui, sem responder,

na senha de cada representação.



NATUREZA MORTA



As formas guardam toda a memória

para os ecos, para os dentros que riscam.

Sob a suspeita de que não voltem mais.

De outra forma, não seria possível a morte.


CALENDA


Agora que o tempo se escuta e é de vidro

no fundo dos olhos, um véu disparado

pelos dardos de uma música cega que percorre

tudo, agora que o tempo fere, fala.

CONTRADANÇAS

I

Quão longe vai ficando o sonho de ser leve.

Ah corpo libérrimo, como nomeias tudo o que tocas.



II

Os olhos de meus olhos onde estão? Se a paisagem

mudou, que olhar é este que ainda mantenho.



III

(Magritte)

A utilidade do olhar troca o que acontece pelo que não.

Passar de um lado a outro será suficiente universo?



IV

Os olhos nos olhos já não são os mesmos. Escritos contra um espelho,

matam-se a si mesmos um pouco mais ou se traem suavemente.

(Adolfo Montejo Navas)

Antonio Preciado (Esmeraldas, 1941)


Que eu tenho aqui, por um grito,
garganta pó 13!
um osso de cada morte,
o comprimento de seu pé,
e aqui eu ressuscitado
a vida que você precisava.
("Matabara homem bom")

Poeta e professor universitário. Em 1965 ganhou o Prêmio Nacional de Poesia VII "Ismael Perez Pazmino" do jornal El Universo de Guayaquil. Hernan Rodriguez crítico Castelo, escreve: "Há muito tempo atrás Preciado é a grande voz de negritude no Equador.Com uma linguagem dura e macia, substantivo, original e imaginativo jogar vigorosa, rítmica e musical. E com uma poética negra enraizada em onde você vem sabedoria antiga e mágicos ressonâncias, mas aberto, generosamente aberto ao contemporâneo.

Tríade



São três coisas silenciosas:
a neve que cai... a hora
antes do amanhecer... a boca de alguém
que acabou de morrer...

Eu chamaria isso de uma tradução absolutamente perfeita. É claro que foi favorecida pela própria extensão do poema, mas realmente a síntese conseguida por Abgar Renault é de uma fidelidade absoluta.

Outro caso de espantosa felicidade é o do pequeno poema Song, da poetisa norte-americana Louise Bogan. Reparem bem na primeira estrofe:

Love me because I am lost;
Love me that I am undone.
That is brave, - no man has whished it,
No one.

Canção

Ama-me que estou perdida;
ama-me que sou apenas pó.
Será heróico; homem algum o quis,
Nem um só!

Bookstores of the world

São conhecidas pela arquitectura, pelo tipo de livros que vendem ou por algo característico que fazem destas das livrarias mais conhecidas pelo mundo.

A livraria foi instalada numa antiga igreja dominicana.
O café da livraria Selexyz fica situado no altar da igreja.

A livraria El Ateneo, em Buenos Aires

Livraria El Ateneo, em Buenos Aires
A livraria El Ateneo, em Buenos Aires foi um teatro real e, em seguida, um cinema, uma vez antes de começar uma livraria. Fotografia por sitemarca Flickr.com