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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Quero que todos os dias do ano

Todos os dias da vida

de meia em meia hora

de 5 em 5 minutos

me digas: Eu te amo.



Ouvindo-te dizer: Eu te amo,

creio, no momento, que sou amado.

No momento anterior

e no seguinte,

como sabê-lo?



Quero que me repitas até a exaustão

que me amas que me amas que me amas.

Do contrário evapora-se a amação

pois ao dizer: Eu te amo,

desmentes

apagas

teu amor por mim.



Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,

isto sempre, isto cada vez mais.



Quero ser amado por e em tua palavra

nem sei de outra maneira a não ser esta

de reconhecer o dom amoroso,



a perfeita maneira de saber-se amado:

amor na raiz da palavra

e na sua emissão

amor

saltando da língua nacional,

amor

feito som

vibração espacial.



No momento em que não me dizes:

Eu te amo,

inexoravelmente sei

que deixaste de amar-me,

que nunca me amaste antes.



Se não me disseres urgente repetido

Eu te amo, amo, amo, amo, amo, amo,

verdade fulminante que acabas de desentranhar,

eu me precipito no caos,

essa coleção de objetos de não-amor.

Carlos Drummond de Andrade