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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Entrevista com a Arte Educadora Francine Machado de Mendonça

                              



O Blog Amor à Literatura e à Educação entrevistou a Francine Machado de Mendonça que é arte educadora, escritora, produtora cultural e contadora de histórias que respondeu nossas perguntas.

Francine no programa Quintal da Cultura
Perguntas
  1. O que te inspirou ou inspira você a ser uma contadora de história?
                                         A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas sorrindo, criança
 Desde criança amava ouvir historinhas de gibis e saía "recontando" até antes de aprender a ler. Na época os ouvintes, especialmente familiares, estranhavam, porque não alfabetizavam tão cedo, achavam que estava ganhando aulas extras domésticas. Digamos que já era um ensaio intuitivo para futuramente bater texto nos palcos - a paixão teatral chegou mais tarde. Depois escrevi e fiz contações dramatizadas das histórias de tios comemorando anos juntos, da família se reunindo todo Natal, de primos casando em festa junina familiar - creio ser um misto de amor à literatura, às celebrações, à própria narração e a improvisar palcos onde eles não existem. Claro que os estudos, pesquisas e reafirmação das paixões cênica e literária vieram com o passar dos anos, mas só confirmaram o que a intuição ajudou praticar na infância. Adulta fui fazer teatro pra me ajudar com gravações para TV comunitária do ABC e por anos estas paixões correram em paralelo.


       2.O que fez você se apaixonar pelo mundo da literatura? 

Tive algum incentivo criança, com pais contando histórias em quadrinhos, professores me vendo inventar livros em cadernos e criando concursos de livrinhos artesanais para estimular e amigas das tias mediando minhas primeiras leituras. Os livros foram minhas primeiras companhias, quando ainda era tímida e não conhecia o teatro, que me tornou mais expressiva mais tarde. Nesse universo podia inventar, desenhar e brincar com personagens. Digamos que era nerd mirim literária e depois profissionalizei, mais adulta. Aos poucos, em oficinas e recentemente, fui lapidando minhas vivências na pós da arte de contar histórias, na Casa Tombada. 

     3.Nós conta sobre seu novo livro infantil juvenil  A Pirueta da Bailarina Fofinha e o que ele traz de aprendizado?  

Devido à paixão pela escrita, fui parar no jornalismo, onde pelo esquema industrial da comunicação me afastei da literatura. Um dia, num teste pra um instituto duma grande empresa, que dava reforço escolar nas comunidades que se criaram ao redor de suas fábricas, li a redação duma garotinha que após ver balé pela 1a vez, escreveu que "tinha que ser bailarina: no palco estava a paz que era precisava pra entender o mundo". Fiquei com a força deste encantamento infantil em mim, até ver vídeos de bailarinas mais cheinhas lutando contra gordofobia na dança. Fui maturando este livro e anos mais tarde nasceu A Pirueta da Bailarina Fofinha, tratando destes sonhos infantis, como nós professores podemos incentivá-los (até por ter feito uma peça aos 10 anos, antes de ver uma, provavelmente com incentivo e explicações duma professora infantil), gordofobia, bullyng, sempre duma maneira lúdica, já que depois de anos de narrações e estudos do brincar, percebi que os pequenos ficam um tempo significativo neste universo mágico do faz de conta. Minha amiga Fernanda Fávaro contou a história pra filha bem antes de publicar (hoje a 1a ouvinte já é adolescente), me deu dicas e também é jornalista. A publicação veio depois de revisões, releituras e acolhimento das críticas de marido e amigos. No fim acho que a ideia original é nossa,mas já tem aprimoramento de conhecidos fãs de livros.
 
4.Quais narrações você fez no Quintal da Cultura?


Fiz Nós, de Eva Furnari (que fez palestra na minha pós e é uma das escritoras que amava criança), lenda ribeirinha Mãe D'Água, que conheci na obra O Menino que Acordou o Rio, de Claudia Lins e  lenda afro Canção da Chuva, de Gana, que pesquisei na coletênea Volta ao Mundo em 80 Histórias, quando era professora de biblioteca no Colégio Santa Maria.

5.Nos conta um pouco dos seus projetos literários?

Já fiz contações de histórias pelo BiblioSesc São Caetano em CRAS, praça, centro cultural e escolas públicas do ABC; dei formação para explorar teatro e contação de histórias em creches conveniadas à rede de São Paulo; mediamos leitura, fizemos concurso e publicamos coletânea trilíngue de contos dos estudantes, pais e professores das escolas bilíngues indígenas da Argentina pelo coletivo Aty Saso; fiz contações em asilos; oficinas culturais e de cidadania na Fundação Criança de São Bernardo; contações produção de cartas e escuta de memórias entre crianças e senhores no Sesc Registro pela dupla Mulheres Contadeiras, criada com a produtora, fotógrafa e oficineira Tatit Brandão; além de ter sido formadora em literatura no Programa de Iniciação Artística (Piá) pela Secretaria de Cultura de São Paulo, para crianças no CEU Caminho do Mar, em parceria com o músico Marcelo Lavrador.

6.O que te inspira no teatro para você gostar de atuar?

Sou apaixonada pela dramaturgia, bater texto, encenar em grupo, criar no coletivo, imaginar em equipe, experimentar outros corpos e vozes de diferentes personagens, levantar histórias que nos façam refletir, criar peças que nos façam rir da nossa desgraça... Além de colaborar para criarmos, sonharmos e acreditarmos em futuros melhores pelas artes cênicas. 

7.O que a arte simboliza para você?

A forma mais lúdica de tornar a vida digerível. É tanto trânsito, correria, desvalorização do professor e artista, batalha árdua para colher uma parte menor dos frutos das sementes que plantamos, poluição sonora urbana, transporte cheio e demorado, que pela arte vamos rindo das dificuldades, elaborando dores, recriando realidades, sonhando em coletivos artísticos e ensinando de modo lúdico. É minha militância no faz de conta depois de adulta. Tanto que a levo para as aulas de artes que dou no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) de Santo André.

8.Tem projetos futuros?

Montar uma das peças que escrevi com a amiga atriz Vanessa Denofrio, criar e dar oficinas culturas com a parceira budista Cristiane Martins, voltar a incentivar teatralmente o amor pela literatura em sala de leitura na rede de educação de São Paulo (ou fazer projetos nela), publicar outros livros e apresentar novas contações com a musicista Sthef Leal. 

9.Um mundo sem literatura é?

Um mundo árido difícil de engolir, muito pouco palatável e sem imaginação. 

10.Como é trabalhar com Educação infantil? 

Nesta área faço mais contações do que atuo no dia a dia atualmente. Por isso mesmo fiquei com a parte mais divertida: contar, brincar, interagir, criar e manter acesa a chama do faz de conta neles.Os pequenos me trazem ideias, me desafiam participando das narrações, me encantam agradecendo: são nossa esperança neste mundo em que enfrentamos tempos sombrios. 

11.O que você gostaria de dizer aos nossos amados leitores?

Que a literatura cura nossa imaginação quando estamos com a esperança adoecida. Ajuda nos por no lugar do outro. Viajar sem dinheiro. Inventar personagens, projetos e brincadeiras. Se não tem o hábito da leitura com livros adultos, é possível se encantar com as obras infantis - além de nunca ser tarde, elas também têm mensagens adultas nas entrelinhas. Basta se abrir à viagem literária, seja lá em que idade ou a partir de qualquer tipo de ficção.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, pessoas em pé
Família comemorando lançamento da Pirueta da Bailarina Fofinha
   
Essa foi à entrevista com a Francine Machado de Mendonça para o Blog Amor à Literatura e à Educação.

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