
Pesquisar sobre postagens antigas do Blog
Siga o Blog, nas redes sociais
segunda-feira, 11 de março de 2013
Movimento “Fora Renan” ganha força e chega a Campos com manifestação
O movimento pedindo o afastamento do senador Renan Calheiros, iniciado nas redes sociais, ganhou força e tomou corpo na tarde deste sábado (09/03), quando várias cidades do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, se organizaram numa manifestação simultânea começada às 14h.

domingo, 10 de março de 2013
Estio
Mar alto, tanto mar... frágil ilha
ondas seculares
azul, vento azul
calafrio de suspirares
água de côco
aldeia de pescadores
canto dos cantares
Nuvens brancas
aves de arribação
vôos rasantes
espumas
na arrebentação
conchas multicores
grãos de areia
infinitos milhares
Praia dos amores
corpos em contracanto
contraceno de bocas
pele a pele
morena cor de jambo
calores
Ode à lua cheia
velas içadas
maré de roldão
emaranhado na rede
brasa no fogo
- peixe bom
fogueira acesa
amena madrugada
- quase canção
vida em paz
voleio dos ventos
- magna estação.
À espreita
Inventar uma lua cheia
que ilumine teu caminho
parece ser minha saga,
meu inevitável destino.
Aprisionar a furiosa ventania
que ameaça teus cabelos
parece ser minha magia,
minha força na ponta dos dedos.
Dobrar a copa das árvores
e na tempestade
proteger-te das águas
parece ser minha sina,
meu cuidado extremo.
Impedir o sol forte
de banhar-te
a pele maravilhosa
parece ser minha derradeira
metamorfose:
transmutar-me em espessa
nuvem negra
e filtrar os raios
do ardente mormaço.
Parece ser minha ventura
acompanhar-te,
viver à sombra de teus passos
e quando exausta chegares
ao fim da longa e inútil
jornada,
de braços abertos
esperar-te.
Norte
Minha fome é outra.
Não aquela que abre um buraco negro
no estômago
- vazio invisível,
que da boca algum alimento
lácteo - via esôfago -
cessa prontamente
até a próxima angústia.
Minha fome é outra.
Não um simples estar-no-mundo,
como disse Drummond
- o universo para mim
é pouco.
Minha fome salta como louca,
labareda intrépida
num incêndio grandioso.
Ela me devorará
ainda que eu entregue os pontos;
a eternidade é uma tosca
linha de partida
no horizonte, a cegar-me o olho.
Sim, minha fome é outra
- indigesta, não toca
as iguarias da estalagem.
Não tem nome,
nem forma, nem nada.
Apenas remove
montanhas, ajudando-me a vencer
o caminho penoso
sem jamais perder de vista
a paisagem.
Mistério
Uma só palavra tua
e o viver monótono
que me acompanha
ganhará as cores do arco-íris,
subirá as montanhas
do Nepal,
atravessará
a Cordilheira dos Andes,
cruzará o Canal da Mancha
e se perderá
no Triângulo das Bermudas.
Uma só palavra tua
e meus sentidos irão explorar
a Floresta Amazônica,
fotografar
o olho do furacão americano,
visualizar preces no Monte Sinai,
conferir a Muralha da China,
admirar as quedas do Niágara,
visitar as águas da romântica Veneza
e alcançar
as neves do Kilimanjaro.
Uma só palavra tua
e o muro de Berlim que me rodeia
cairá por terra,
libertando-me das garras
do inferno de Java,
abrirá minhas asas para o vôo de Ícaro
e, queimando meus temores,
fará pousar meus amores
na clareira recém-aberta, desenhada
pelo teu eterno sorriso
de Mona Lisa.
Delírio
Na penumbra,
uma indefinível alegoria
salta na trêmula paisagem
e principia uma estranha
dança noturna.
Passos silenciosos
movem-se elásticos
em meio à névoa úmida
- vôos espetaculares
sem música.
Gestos grandiosos,
o corpo envolto em mímica
revela o deslumbramento
solitário e, ao mesmo tempo,
mágico e absoluto.
Instante único,
encontro de almas gêmeas,
o toque ímpar no extraordinário...
Fuga da realidade
em pleno sol da meia-noite.
Separação
Que estranho sentimento é este
que nos arrebata ferozmente
- sangria aberta
em postas de sangue virtual -
vergalhando a alma alquebrada,
chibata onipresente
do invisível feitor?
A dor que nos une
é a mesma do amor
quando se presume
o golpe final.
que nos arrebata ferozmente
- sangria aberta
em postas de sangue virtual -
vergalhando a alma alquebrada,
chibata onipresente
do invisível feitor?
A dor que nos une
é a mesma do amor
quando se presume
o golpe final.
Legados
Velejo por entre correntes marítimas
que o navio do destino
faz balançar,
arrastando meu sonho
em torvelinho, rumo às águas profundas
do imensurável mar.
As ondas eram pequenas,
pequeno era meu desejo de amar.
Quando me libertei da timidez
era tarde, tarde demais.
As ondas viraram vagas, vagalhões
e afundaram meu barco de papel.
As estrelas da anunciação
- que brilhavam como sóis
no mapa do céu -
apagaram-se todas.
Levaram com elas
o caminho do sonho acalentado
- inútil saber se sobreviveu.
Restou a figura do vento bravo
ventania carregando ao léu
minhas lágrimas velozes,
deixando-me apenas
um olhar vago,
eternamente escravo
do que não aconteceu.
Assinar:
Postagens (Atom)
