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sábado, 3 de novembro de 2012

LOUCURA

A rosa criou sua fantasia, da fantasia que não mais queria.
Lançando pétalas pela janela.
Que louca, ficou toda diferente!
Quem sente, enxergava numa libélula,
O talo, o rabo, sem roupa, a rosa.
Correu foi pro carnaval.
Quem a viu sem fantasia,
Dizia, mas que maluca!
A nuca da rosa, está toda nua!
E quem a viu no festival, gritava, apontado pra ela
Não vês que isto é uma loucura...
Não cura, estás mal, estás mal.
A rosa por saber que não queria, por ninguém ser mais beijada,
Doada , para consolar amantes.
Trancou-se no quarto e pela janela,
Gritou pra todos os que passavam:
Não quero os gestos que são mentiras
Não dou-me por mãos, dou-me por alegrias.
E sem dar ouvidos, lançava fora, o resto de fantasia.
Que continuava arrancando, chorando, cantando
Sua intenção: mal me quer, ou bem me quer

"Digitais"

Minha última fantasia arranquei a grade do meu quarto,

deixei a janela aberta, me embriago e durmo,

não sei quantas voltas os ponteiros deram,

quebrei todos marcadores, os destrui,

não sei que data, nem tenho a mínima idéia,

de quanto tempo passou, meu reflexo sujo,

o perfume que você um dia gostou,

todas as vozes que te lembram,

meu corpo totalmente coberto por tuas digitais,

em minha boca teu sabor,

teu retrato que rasguei, montei de volta,

sorrindo para mim, de mim,

o chão molhado, você não veio,

mas, a chuva e o orvalho sim.

Eu espero, estou aqui,

assim, enfim...

Te espero...

Edmilson Lourenço

Poesia

Poesia é arte
Que da vida faz parte.
É Magia
Que transforma a vida em fantasia
Ou tão somente, uma cena.
Um poema.
Poesia é minha vida
É a nossa, é a sua
É uma vida alegre e fantástica
As vezes nua e crua.
Poesia...
Está na divindade do nascer
Está na arte de viver
E até quem sabe...
Está no segredo de morrer.

Reff Carvalho

Péssimo Mentiroso


Percebi que sou péssimo com disfarces.
Tão ruim que numa festa a fantasia escolheria ir de Adão.
Por mais que eu tentei disfarçar e achava que estava indo bem na minha mentira fui desvendado como um mágico pego no seu truque. Ao me sentir desmascarado em praça pública percebi que todos já sabiam sobre minha verdade, menos eu.
A multidão ao me olhar e apontar o dedo em direção a minha face soube dizer sem mesmo me perguntar tudo o que eu precisava e eu ali fingindo não saber do que eles estavam falando e me acusando. Eu ali brigando por minha defesa usando argumentos que eu mesmo não acreditei para fazer com que eles acreditassem que eu estava “muito bem, obrigado!”
Sou muito bom em argumentos, mas minha face fez questão de me desmentir a cada palavra pronunciada e eu ali usando argumentos para me fazer acreditar do que todas as outras pessoas já tinham lido nas entrelinhas das minhas feições e atitudes.
Assim percebi que sou um péssimo mentiroso, mas consegui me enganar quando pensei que só eu tinha conhecimento da minha necessidade de me tornar plural.

Bento

Mulher fatal...

Colocaste a minha alma em apuros...
Vieste na minha fantasia, toda nórdica,
e decepou o meu coração, com o seu olhar felino...
Não sei se era pura quimera, ou a minha insanidade
vindo a tona, ou na verdade já estava a sua espera...
Vestida para mutilar e se saciar o meu amor contido...
Vieste como uma aranha viúva negra,
que quer a minha pele suada de prazer...
Agarrado a sua cintura, me levo a loucura,
na sua teia de uma noite escura..

E tu chegaste,
Desviaste meus sentidos
fizeste-me artigo indefinido da tua cotidiana oração

Ignorei todos os avisos de perigo
Quando me pegaste pela mão.
Hoje eu sou teu menino,
teu homem , teu amante,
herói e bandido
Do teu amor, sou artesão

E nessa guerra , sou-te paz
Sou-te entrega e perdição
Teu escravo, sem entraves
Depravado em emoções

Ernane Rezende / Erikah Azzevedo