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sexta-feira, 15 de março de 2013

Idiocracia – Ignorância vs Educação


A palavra “idiocrasia” vem de um filme de 2006, chamado “Idiocracy”. O filme, que é de humor negro, retrata dois personagens que se inscrevem para um experimento militar de hibernação, que acaba dando tremendamente errado: eles despertam 500 anos no futuro e descobrem então, que o mundo se tornou uma sociedade humana uniformemente estúpida.

Poderíamos, então, definir a palavra “idiocrasia” como a massificação da estupidez. Assim, eu pergunto: já não estaríamos caminhando para algo assim?

Nossa sociedade valoriza os fortões, bonitões e burros, enquanto despreza os inteligentes. No Brasil, o modelo para nossas crianças não são pessoas como Albert Einstein e Carl Sagan, mas pessoas como Neymar, Pato e Ganso. O nível de aplicação em educação por nossos governantes é risível. Não importa com que partido você simpatize: todos agem assim e a coisa tem estado assim desde antes do golpe de 64. Talvez desde a independência.

Apesar disso tudo, conseguimos produzir cientistas do calibre de Miguel Nicolelis, mas nossa produção intelectual, que se traduz, por exemplo, no número de pedidos de patentes, é risível. Pior: mesmo Miguel Nicolelis, com todo o conhecimento científico que já produziu, é pouquíssimo conhecido em nosso país. Brasileiros como ele ganham fama apenas no exterior, infelizmente.

Outro problema é a quantidade de livros que lemos ao ano. Eu ou você, que lê este artigo, podemos até ler uma quantidade razoável, mas e o restante das pessoas? A verdade é que, sempre que pego um livro para ler em público, não importa o tema, as pessoas ao redor começam a me olhar e a torcer o nariz. Às vezes parece até que ter o hábito de ler se tornou uma doença grave.

Este problema prejudica não só as pessoas, mas também o país como um todo. Empresas já começam a importar trabalhadores para ocupar vagas para as quais elas não conseguem encontrar candidatos capacitados. Isto prejudica o país, pois serve como um freio para seu crescimento. Os únicos favorecidos são os piores políticos que temos, os mais corruptos, que acabam conseguindo se reeleger a cada nova eleição.

Meu ponto é: até onde chegaremos com isto? Até quando as pessoas vão se conformar em ser idiotizadas por emissoras de TV que só passam porcarias; por governos que não dão a mínima para a educação; e por diversos outros meios? Não sei. Às vezes penso em fazer como muitos já fizeram: cuidar de meus estudos, sair do país e dar um “foda-se” para tudo isto aqui. Mas, não sei, acho que sou teimoso demais para isso.

O mais interessante é que, sempre que aparece um modelo de aplicação em educação que funciona bem lá fora, já se afirma que “aqui não daria certo”. Não daria certo? Mas como pode-se afirmar isto, sem sequer testar isto? O que menos importa, aqui, é o que dá certo ou não. O que importa é que não há interesse, principalmente entre políticos, de se mudar as coisas. Infelizmente.

(por Mário César Araújo)

Há 134 anos nascia Albert Einstein.



O físico teórico alemão é o autor da teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna e recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1921. Suas grandes conquistas intelectuais e originalidade fizeram a palavra "Einstein" sinônimo de gênio. Foi eleito, em 1999, o mais memorável físico de todos os tempos.

A icônica fotografia com a língua de fora foi registrada no dia 14 de março de 1951, quando Albert Einstein completava 72 anos. Existem versões diferentes sobre as motivações do físico. A teoria mais aceita é de que ao final da festa, irritado com o assedio da imprensa, Einstein teria mostrado a língua para demonstrar seu descontentamento. Tecnicamente “encurralado” por fotógrafos, a perguntarem acerca de sua opinião sobre a situação política, pôs-lhe sua língua de fora. Isso após várias tentativas para que o deixassem em paz (afirmava não gostar da imprensa). O fotógrafo Arthur Sasse, teria sido o único a conseguir registrar o momento, apesar de estarem presentes dezenas de jornalistas.

Outras teorias sustentam que a foto tenha relação com um protesto antibomba atômica, uma vez que o físico havia solicitado à população que enviassem cartas ao governo, pedindo o fim das operações nucleares. Einstein teria sugerido que sua língua fosse usada metaforicamente para “selar” os pedidos.O gesto foi uma mescla de irritação e descontração; tempos mais tarde dissera a sua secretaria (e amante) Johanna Fantova: “A língua de fora revela as minhas posições políticas.”

O fotografo Arthur Sasse foi quem capturou a imagem, mas a divulgação da mesma foi feita pelo próprio Einstein, depois de solicitar que o mandassem algumas cópias. A imagem definitivamente havia lhe agradado,vindo a enviá-la como postal para amigos e conhecidos, sendo hoje a sua fotografia mais famosa.

Contudo, em 17 de abril de 1955, Albert Einstein sentiu uma hemorragia interna causada pela ruptura de um aneurisma da aorta abdominal. Einstein recusou-se a cirurgia, dizendo: ".... quero ir quando eu quiser. É de mau gosto ficar e prolongar a vida artificialmente. Eu fiz a minha parte, é hora de ir embora e eu vou fazê-lo com elegância". Ele morreu cedo na manhã seguinte no Hospital de Princeton, com 76 anos de idade, tendo continuado a trabalhar até quase o fim de sua vida.

Durante a autópsia, o patologista do Hospital de Princeton removeu o cérebro de Einstein para a preservação sem a permissão de sua família, na esperança de que a neurociência do futuro seria capaz de descobrir o que tornava Einstein tão inteligente.Os restos do físico foram cremados e suas cinzas foram espalhadas em um local não revelado.

Texto de Diego Vieira
Administração Imagens Históricas

quinta-feira, 14 de março de 2013

Não sei quantas almas tenho



Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.Fernando Pessoa

O Amor


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..

Fernando Pessoa

Hoje é o Dia Nacional da Poesia!


Parabéns a todos os poetas e poetisas, famosos ou anônimos, que nos encantam com suas palavras.

DE POETA E LOUCO

"Minha mão não obedece ao comando
e sai rabiscando pelas páginas em branco.
Tento manter as linhas,
respeitar as margens,
guardar espaços.
As bobagens que eu faço,
essa mão assina, como se fossem minhas."

Sempre a algo que precisamos aprender

LIBERDADE


"Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca..."

(Fernando Pessoa)

A VIDA ARDENTE

"Meu coração, eu o preenchi com o belo tumulto humano. Tudo o que foi vivo e ofegante na terra, audácia louca, vontade surda, ardor austero e a revolta de ontem e a ordem de amanhã não esfriou-os, para poder julgá-los, meu pensamento. Carvões escuros, transformei-vos num grande fogo de ouro, exaltando apenas sua chama e seu volante crescimento, que misturavam seu esplendor à vida angustiada. E vós, iras, virtudes, vícios, fúrias, desejos, eu acolho a todos vós com todos vossos contrastes, para que seja mais longo, mais complexo e mais vasto o maravilhoso frêmito que me fez estremecer. Meu próprio coração só vive bem quando se esforça. A humanidade total necessita de um tormento que aja sobre ela com furor, como um fermento, para ampliar-lhe a vida e levantar-lhe a força."

Émile Verhaeren (1855-1916)

As sementes fazem as arvores

A UM AUSENTE


"Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompeste sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aqui essência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada?Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas,simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança.Sim, tenho saudades.Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste."

(Carlos Drummond de Andrade)