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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Olha esta foto é de dois taletos brasileiros

Dois talentos: o historiador Sérgio Buarque de Holanda com o filho, compositor e escritor, Chico Buarque, nos anos 70.

Esta é uma boa ideia para o Brasil, e vocês não acham legal ?

Precisamos mesmo desmatar, deslocar comunidades e devastar áreas de grande biodiversidade para gerar energia?
Que tal começarmos a mudar? No Japão, por exemplo, alguns parques eólicos ficam no mar.
É isso mesmo!

Vamos colocar a mão na massa.
Aos poucos nossa matriz energética vai se modernizando ...

Vamos que vamos!
Por um Brasil mais consciente, inteligente e solidário.

Foto rara de Steve Jobs e Bill Gates, na casa de Jobs em 1991.


Ambos estavam com 36 anos no momento em que a foto foi tirada. Jobs, na época, já tinha sido forçado a sair da Apple e estava trabalhando na NeXT, que acabaria por ser vendida para a Apple, alguns anos mais tarde. Gates, por sua vez, já era um bilionário, com vários lançamentos de Microsoft Windows.

A rivalidade entre os dois bilionários sempre foi bastante conhecida. Na sua própria biografia, Jobs acusa Gates de “falta de imaginação” e de “descaradamente arrancar as ideias dos outros”.

Aproximadamente um ano após o lançamento da obra, e da morte de Jobs em 2011, Gates declarou em entrevista ao Telegraph que a atmosfera se alterou entre os dois depois de Gates deixar a Microsoft para iniciar a Bill and Melinda Foundation, uma fundação criada pelo casal Gates e que apoia programas de saúde no mundo todo, com especial atenção aos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

Bill e Steve passaram mais tempo juntos e, alguns meses antes da morte de Jobs, Gates fez-lhe uma longa visita onde, segundo o criador da Microsoft, passaram “horas a relembrar e a falar do futuro”.

Segundo Bill Gates, era uma rivalidade saudável. Gates diz ainda ter recebido um telefonema de Laurence, esposa de Jobs, após a sua morte, dizendo que a biografia de Jobs “não representa o mútuo respeito que ambos (Gates e Jobs) tinham um pelo outro”.

Olha como está a realidade hoje?

Infelizmente está é uma realidade que ocorre no Brasil hoje

Humor Inteligente

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Um Dia Bem Passado


De vez em quando acontece, um dia bem passado.
 Um dia que é o contrário da vida, porque desde o primeiro ao último momento acordado, passa-se bem, como antigamente se dizia em Angola e cá.
Um dia bem passado não pode ser planeado.
 Mas tem de ser protegido. 
Um dia bem passado é um dia que se passa quase às escondidas.
 Parece mais roubado do que um beijo - e tem razão.
Um dia bem passado, como foi o último dia de Setembro para a minha mulher e para mim, tem de meter pargos, lavagantes, ostras e beijinhos.
Na Praia das Maçãs, nos boníssimos restaurantes Neptuno e Búzio, as ostras são sumptuosas. 
Mas não as vendem à dúzia e à meia-dúzia, comme il faut.
 É ao peso, a granel, como eles as compram. É uma prática que irrita.
 Mas com toda a delicadeza, claro. 
Como uma pérola, formada pela irritação de um grão de areia dentro de uma ostra.
 O peso de uma ostra (a concha mais a carne) nada diz sobre o peso do molusco.
 Há ostras gordas e suculentas escondidas por conchas minimais e esguias e há ostras minimais e esguias escondidas por conchas gordas e suculentas.
Num dia bem passado o problema mais grave, o que mais dá que pensar, nunca é uma questão mais pesada do que esta, de saber como se devem apreçar os mariscos. 
E o maior risco que se corre é de nos calhar uma ostra menos cheiinha.
 Num dia bem passado acabam por ser todas boas.
 Fica-se tolinho de tanto contentamento. 
Um dia quando é mesmo bem passado nem faz pena quando acaba.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Público (2 Out 2011)'

Acordar


Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da Rua do Ouro,
Acordar do Rocio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, que nunca dorme,
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.

Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo.
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo.

Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne,
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja

A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Siringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.

Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.

Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também,
Crisântemos, dálias,
Violetas, e os girassóis
Acima de todas as flores...

Deita-me as mancheias,
Por cima da alma,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Meu coração chora
Na sombra dos parques,
Não tem quem o console
Verdadeiramente,
Exceto a própria sombra dos parques
Entrando-me na alma,
Através do pranto.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Minha dor é velha
Como um frasco de essência cheio de pó.
Minha dor é inútil
Como uma gaiola numa terra onde não há aves,
E minha dor é silenciosa e triste
Como a parte da praia onde o mar não chega.
Chego às janelas
Dos palácios arruinados
E cismo de dentro para fora
Para me consolar do presente.
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Mas por mais rosas e lírios que me dês,
Eu nunca acharei que a vida é bastante.
Faltar-me-á sempre qualquer coisa,
Sobrar-me-á sempre de que desejar,
Como um palco deserto.

Por isso, não te importes com o que eu penso,
E muito embora o que eu te peça
Te pareça que não quer dizer nada,
Minha pobre criança tísica,
Dá-me das tuas rosas e dos teus lírios,
Dá-me rosas, rosas,
E lírios também...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

No Fundo Somos Bons Mas Abusam de Nós


O comum das gentes (de Portugal) que eu não chamo povo porque o nome foi estragado, o seu fundo comum é bom.
 Mas é exactamente porque é bom, que abusam dele. 
Os próprios vícios vêm da sua ingenuidade, que é onde a bondade também mergulha.
 Só que precisa sempre de lhe dizerem onde aplicá-la.
 Nós somos por instinto, com intermitências de consciência, com uma generosidade e delicadeza incontroláveis até ao ridículo, astutos, comunicáveis até ao dislate, corajosos até à temeridade, orgulhosos até à petulância, humildes até à subserviência e ao complexo de inferioridade.
 As nossas virtudes têm assim o seu lado negativo, ou seja, o seu vício.
 É o que normalmente se explora para o pitoresco, o ruralismo edificante, o sorriso superior. 
Toda a nossa literatura popular é disso que vive.
Mas, no fim de contas, que é que significa cultivarmos a nossa singularidade no limiar de uma «civilização planetária»? 
Que significa o regionalismo em face da rádio e da TV?
 O rasoiro que nivela a província é o que igualiza as nações. 
A anulação do indivíduo de facto é o nosso imediato horizonte.
 Estruturalismo, linguística, freudismo, comunismo, tecnocracia são faces da mesma realidade. 
Como no Egipto, na Grécia, na Idade Média, o indivíduo submerge-se no colectivo. 
A diferença é que esse colectivo é hoje o puro vazio.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 2'

Cada Dia é Sempre Diferente dos Outros

Cada dia é sempre diferente dos outros, mesmo quando se faz aquilo que já se fez. Porque nós somos sempre diferentes todos os dias, estamos sempre a crescer e a saber cada vez mais, mesmo quando percebemos que aquilo em que acreditávamos não era certo e nos parece que voltámos atrás. Nunca voltamos atrás. Não se pode voltar atrás, não se pode deixar de crescer sempre, não se pode não aprender. Somos obrigados a isso todos os dias. Mesmo que, às vezes, esqueçamos muito daquilo que aprendemos antes. Mas, ainda assim, quando percebemos que esquecemos, lembramo-nos e, por isso, nunca é exactamente igual.
— Porquê, pai?
— Porque a memória não deixa que seja igual, mesmo que seja uma memória muito vaga, mesmo que seja só assim uma espécie de sensação muito vaga. É que a memória não é sempre aquilo que gostaríamos que fosse. Grande parte dos nossos problemas estão na memória volúvel que possuímos. Aquilo que é hoje uma verdade absoluta, amanhã pode não ter nenhum valor. Porque nos esquecemos, filho. Esquecemos muito daquilo que aprendemos. E cansamo-nos. E quando estamos cansados, deixamos de aprender. Queremos não aprender por vontade. Essa é a nossa maneira de resistir, mais ou menos, àquilo que nos custa entender. E aquilo que nos custa entender pode ter muitas formas, pode chegar de muitos lugares.
— Porquê, pai?
— Porque nos parece que é assim. Mas talvez não seja assim. Aquilo que nos custa entender é sempre uma surpresa que nos contradiz. Então, procuramos convencer-nos das mais diversas maneiras, encontramos as respostas mais elaboradas e incríveis para as perguntas mais simples. E acreditamos mesmo nelas, queremos mesmo acreditar nelas e somos capazes. Somos mesmo capazes. Não imaginas aquilo em que somos capazes de acreditar.
— Porquê, pai?
— Porque temos de sobreviver. Porque, à noite, a esta hora, temos de encontrar força para conseguirmos dormir, descansar, e temos de acreditar que no dia seguinte poderemos acordar na vida que quisemos, que desejámos. Temos de acreditar que poderemos acordar na vida que conseguimos construir e que essa vida tem valor, vale a pena. Muito mais difícil do que esse esforço é considerarmos que fomos incapazes, que não conseguimos melhor, que a culpa foi nossa, toda e exclusiva.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'

Seja exemplo

Qualquer criança desse mundo têm sempre duas coisas em comum: fecham os ouvidos aos conselhos e abrem os olhos aos exemplos.
Portanto, cuidado não somente com suas palavras, mas com seus atos e seja um bom espelho para essa nova geração que vem chegando...