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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O caipira e a Tiriva
"Meu cumpadre, meu amigo,
Escute o que vou falá:
Dei um tapa na peroba
Derrubei jacarandá,
Já carcei chinelo em cobra
E abracei tamanduá;
Conversei com uma tiriva,
No pé do jequitibá...
Contou entristecida,
Que tinha que se mudá,
Jogaram veneno nas roça,
Pulverizaram os mangueirá.
Bateu asa, foi-se embora,
Fazendo kri kri kra kra.
E fiquei matutando...
Donde quiço vai pará?
O veneno tá na alma
Dos "home" que é racioná...
E a tiriva foi-se embora,
Fazendo kri kri kra kra.
Coitado das criancinha
Que não viram a tiriva gritá."
(César Alvarenga)
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
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