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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"Se me perguntarem como estou, eis a resposta:

Estou indo. Sem muita bagagem.
Pesos desnecessários causam sempre
dores desnecessárias.

Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo…
preenche-la com coisas novas.
Sensações novas, situações novas, pessoas novas.
Tudo novo."

(Caio Fernando Abreu)

BIBLIOTECAS MAIS LINDAS DO MUNDO:



Beinecke Rare Book and Manuscript Library, Yale University, New Haven, Estados Unidos

Inteiramente dedicada a manuscritos e livros raros, a Beinecke, da universidade de Yale, foi construída em 1963, de acordo com projeto de Gordon Bunshaft, do escritório Skidmore, Owings and Merrill – SOM. É a maior biblioteca do gênero no mundo, e uma das mais belas do mundo.
Foto: BIBLIOTECAS MAIS LINDAS DO MUNDO:
Beinecke Rare Book and Manuscript Library, Yale University, New Haven, Estados Unidos

Inteiramente dedicada a manuscritos e livros raros, a Beinecke, da universidade de Yale, foi construída em 1963, de acordo com projeto de Gordon Bunshaft, do escritório Skidmore, Owings and Merrill – SOM. É a maior biblioteca do gênero no mundo, e uma das mais belas do mundo.

Eu só vim lhe desejar um dia lindo


Com flores pelo caminho que você percorrer.
Com gente feliz ao seu redor.
Com chuvas de sorrisos e olhares que vem da alma.
Não importa se grande notícias não virão hoje.
Que também não venham as más.
Que seu dia seja de paz.
Que você esteja em paz.
E que você olhe os problemas de cima, e as pessoas
que você convive, com olho no olho.
Que as palavras do dia sejam "leveza",
"doçura", "calmaria", "tranquilidade".
E que as próximas horas sejam carregadas
de pensamentos positivos e muita paz no coração.
Só vim te desejar um ótimo dia.
Colorido e florido.
[Caio Fernando Abreu]

Homem bom

Homem bom é aquele que te joga na parede e
puxa o seu cabelo com jeito. Que consegue tirar
o seu fôlego com apenas um beijo. Que quando
coloca a mão na sua cintura te segure firme,
deixando passar pela sua cabeça que ele quer te
proteger, que ele te quer por perto. Então ele
se torna realmente homem, porque ele não grita
aos quatro cantos do mundo que ele te ama, ele
fala isso no seu ouvido, ou olhando firme em
seus olhos. Eles deixa transparescer o que sente
em simples gestos. Homem bom é aquele que te
faz sentir as melhores sensações, te dá os
melhores beijos, os melhores amassos, as
melhores mordidas, os melhores sonhos, os
melhores desejos, os melhores
momentos.Homem bom é aquele que te traz
segurança, paz, prazer, felicidade, e que te faz
sentir única.

Bob Marley, em 1981



 Já doente e sem os famosos dreds, o cantor foi fotografado lendo a Bíblia.

Em julho de 1977, Marley percebeu uma ferida no dedão de seu pé direito, que pensou ter sofrido durante uma partida de futebol. A ferida não cicatrizou, e sua unha posteriormente caiu enquanto ele jogava bola. Somente então foi diagnosticado corretamente. Marley na verdade sofria de uma espécie de câncer de pele, um melanoma maligno que se desenvolveu sob sua unha. Os médicos o aconselharam a ter o dedo amputado, mas Marley recusou-se devido aos princípios rastafaris. Ele também estava preocupado com o impacto da operação em sua dança: a amputação afetaria profundamente sua carreira no momento em que se encontrava no auge. Marley então passou por uma cirurgia para tentar extirpar as células cancerígenas. A doença foi mantida em segredo do público.

De acordo com seu filho Ziggy Marley, Bob se converteu ao cristianismo meses antes de morrer. O motivo seria o de que, segundo a religião rastafári, o corpo é um templo sagrado e por isso retirar o câncer seria errado. Marley teria descoberto muitas coisas semelhantes entre o rastafarianismo e o cristianismo e decidiu que seu corpo deveria ser cuidado.

Entretanto, o câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago. Durante uma turnê em 1980, numa tentativa de se consolidar no mercado norte-americano, Marley desmaiou enquanto corria no Central Park de Nova Iorque. A doença o impediu de continuar com a grande turnê agendada. Marley procurou ajuda, e decidiu ir para Munique para tratar-se com o controverso especialista Josef Issels por vários meses, não obtendo resultados.

A primeira medida de Dr Issels foi raspar os dreadlocks de Marley. O tratamento, segundo amigos de Bob que o viram de perto, parecia mais com várias e incansáveis sessões de tortura. Dr. Issels enfiava agulhas gigantescas em pontos especialmente sensíveis do corpo do cantor, sem nenhuma aparente utilidade, e o deixava sofrendo durante horas, saindo calmamente da sala. Deixava-o sem comer durante dias. Nenhuma explicação era dada. Na época em que Marley morreu, seu corpo estava tão fraco que qualquer chance de cura que poderia ter existido antes estava fora de cogitação. Mais tarde foi descoberto que o Dr. Issels era na verdade um médico nazista, pupilo do famigerado Dr. Joseph Menguele, O Anjo da Morte.

Um mês antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a "Ordem ao Mérito" jamaicana. O cantor desejava passar seus últimos dias em sua terra natal, mas a doença se agravou e Marley teve de ser internado em Miami. Ele faleceu no hospital Cedars of Lebanon, no dia 11 de maio de 1981 em Miami, Flórida, aos 36 anos. Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da religião Ortodoxa da Etiópia e do Rastafari. Ele foi enterrado em uma tumba em Nine Miles, perto de sua cidade natal.

Fonte: Documentário Time Will Tell

Bob Marley, em 1981. Já doente e sem os famosos dreds, o cantor foi fotografado lendo a Bíblia.

Em julho de 1977, Marley percebeu uma ferida no dedão de seu pé direito, que pensou ter sofrido durante uma partida de futebol. A ferida não cicatrizou, e sua unha posteriormente caiu enquanto ele jogava bola. Somente então foi diagnosticado corretamente. Marley na verdade sofria de uma espécie de câncer de pele, um melanoma maligno que se desenvolveu sob sua unha. Os médicos o aconselharam a ter o dedo amputado, mas Marley recusou-se devido aos princípios rastafaris. Ele também estava preocupado com o impacto da operação em sua dança: a amputação afetaria profundamente sua carreira no momento em que se encontrava no auge. Marley então passou por uma cirurgia para tentar extirpar as células cancerígenas. A doença foi mantida em segredo do público.

De acordo com seu filho Ziggy Marley, Bob se converteu ao cristianismo meses antes de morrer. O motivo seria o de que, segundo a religião rastafári, o corpo é um templo sagrado e por isso retirar o câncer seria errado. Marley teria descoberto muitas coisas semelhantes entre o rastafarianismo e o cristianismo e decidiu que seu corpo deveria ser cuidado.

Entretanto, o câncer espalhou-se para seu cérebro, pulmão e estômago. Durante uma turnê em 1980, numa tentativa de se consolidar no mercado norte-americano, Marley desmaiou enquanto corria no Central Park de Nova Iorque. A doença o impediu de continuar com a grande turnê agendada. Marley procurou ajuda, e decidiu ir para Munique para tratar-se com o controverso especialista Josef Issels por vários meses, não obtendo resultados.

A primeira medida de Dr Issels foi raspar os dreadlocks de Marley. O tratamento, segundo amigos de Bob que o viram de perto, parecia mais com várias e incansáveis sessões de tortura. Dr. Issels enfiava agulhas gigantescas em pontos especialmente sensíveis do corpo do cantor, sem nenhuma aparente utilidade, e o deixava sofrendo durante horas, saindo calmamente da sala. Deixava-o sem comer durante dias. Nenhuma explicação era dada. Na época em que Marley morreu, seu corpo estava tão fraco que qualquer chance de cura que poderia ter existido antes estava fora de cogitação. Mais tarde foi descoberto que o Dr. Issels era na verdade um médico nazista, pupilo do famigerado Dr. Joseph Menguele, O Anjo da Morte.

Um mês antes de sua morte, Bob Marley foi premiado com a "Ordem ao Mérito" jamaicana. O cantor desejava passar seus últimos dias em sua terra natal, mas a doença se agravou e Marley teve de ser internado em Miami. Ele faleceu no hospital Cedars of Lebanon, no dia 11 de maio de 1981 em Miami, Flórida, aos 36 anos. Seu funeral na Jamaica foi uma cerimônia digna de chefes de estado, com elementos combinados da religião Ortodoxa da Etiópia e do Rastafari. Ele foi enterrado em uma tumba em Nine Miles, perto de sua cidade natal.

Fonte: Documentário Time Will Tell

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

De Um e de Dois, de Todos



Sou o espectador o actor e o autor
Sou a mulher o marido e o filho
E o primeiro amor e o derradeiro amor
E o furtivo transeunte e o amor confundido

E de novo a mulher seu leito e seu vestido
E seus braços partilhados e o trabalho do homem
E seu prazer em flecha e a fêmea ondulação
Simples e dupla a carne nunca se exila

Pois onde começa um corpo ganho eu forma e
[consciência
E mesmo quando na morte um corpo se desfaz
Eu repouso em seu cadinho desposo o seu
[tormento
Sua infâmia me honra o coração e a vida.

Paul Eluard, in "Algumas das Palavras"

Mendiga


Na vida nada tenho e nada sou;
Eu ando a mendigar pelas estradas...
No silêncio das noites estreladas
Caminho, sem saber para onde vou!

Tinha o manto do sol... quem mo roubou?!
Quem pisou minhas rosas desfolhadas?!
Quem foi que sobre as ondas revoltadas
A minha taça de oiro espedaçou?!

Agora vou andando e mendigando,
Sem que um olhar dos mundos infinitos
Veja passar o verme, rastejando...

Ah, quem me dera ser como os chacais
Uivando os brados, rouquejando os gritos
Na solidão dos ermos matagais!...

Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

Balada do Amor através das Idades



Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigámos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Alguma Poesia'

Ela Canta, Pobre Ceifeira


Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anônima viuvez,

Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.

Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.

Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente ‘stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!

Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência

Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro!
Tornai Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Nada Nos Falta, porque Nada Somos



Ao longe os montes têm neve ao sol,
Mas é suave já o frio calmo
Que alisa e agudece
Os dardos do sol alto.

Hoje, Neera, não nos escondamos,
Nada nos falta, porque nada somos.
Não esperamos nada
E temos frio ao sol.

Mas tal como é, gozemos o momento,
Solenes na alegria levemente,
E aguardando a morte
Como quem a conhece.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterónimo de Fernando Pessoa