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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Amor é um livro

Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte

Amor é pensamento, teorema
Amor é novela
Sexo é cinema

Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia

O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval

Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom...
Amor é do bem...

Amor sem sexo,
É amizade
Sexo sem amor,
É vontade

Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes,
Amor depois

Sexo vem dos outros,
E vai embora
Amor vem de nós,
E demora

Amor é isso,
Sexo é aquilo
E coisa e tal...
E tal e coisa...

Cilze Mariane Costa Honório Rita Lee Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor

Super Heróis

Nem sempre os nossos super Heróis usam mascaras , capa , mas usam uniformes ,equipamentos , vacinas e remédios e ficam todos os dias quando estamos doentes cuidando de nossa saúde e para mim eles são realmente nossos heróis .... 
Parabéns a todos os Doutores , enfermeiros de todo mundo , pois o papel de vocês na sociedade é um Herói ...
  

Bicicloteca: a biblioteca que vai até você



“Um país se faz com homens e livros”, disse Monteiro Lobato. E é com o propósito de levar livros às pessoas e de despertar a curiosidade pela leitura que surgiu um movimento cultural independente: a Bicicloteca; uma bicicleta que empresta livros gratuitamente.

Robson Mendonça e sua biblioteca ambulante (Ana Carolina Magalhães)

A biblioteca itinerante nasceu da necessidade de levar cultura para as pessoas sem acesso à leitura. Sendo assim, as ruas da cidade de São Paulo viraram palco de uma ideia elaborada por um ex-morador de rua.

Robson Mendonça, 62, morou nas ruas por seis anos e sempre foi um amante de livros. No entanto, pela sua condição social teve problemas em ter acesso à cultura por causa do preconceito.

“Eu queria ler, mas dentro da biblioteca tinha aquilo de o pessoal levantar da mesa porque eu era morador de rua, ninguém queria ficar perto de mim, mesmo quando eu estava de banho tomado. E eu não podia nem retirar um livro, pois não tinha comprovante de residência”, conta.

Sem condições financeiras, Robson foi atrás de pessoas que pudessem tornar o seu sonho realidade. Foi com a ajuda da ONG Instituto Mobilidade Verde que ele conseguiu desenvolver o seu projeto na capital.

“Queremos apoiar as famílias que estão em condições de rua para que elas possam retornar ao trabalho. É um trabalho de inserção. As pessoas não estão fora da sociedade, o que elas estão é fora da comunidade. E o livro tem esse poder de transformar”, comentou Lincoln Paiva, presidente do IMV.

A ideia de criar uma bicicloteca surgiu da necessidade de levar livros para os moradores de rua através de um veículo leve, que não gerasse custos com combustíveis e que não precisasse de um condutor com habilitação. Trata-se de um triciclo com capacidade para 150 kg de livros, que facilita o trabalho das comunidades que já atuam com cultura e inclusão social através da leitura.

Assim, desde maio de 2011, a Bicicloteca já emprestou aproximadamente oito mil livros para moradores de rua e pessoas interessadas. Desse número, 7.600 foram devolvidos.

“O que muitas pessoas achavam é que não ia ter retorno, o morador de rua não ia devolver o livro. Mas eles vão pegando e devolvendo”, afirmou.

Robson fica de segunda a sexta em diversos pontos do Centro de São Paulo fazendo os empréstimos, como na Avenida Paulista, Praça da Sé, Praça da República e na Rua Barão de Itapetininga. Foi escolhido este itinerário por que o foco do projeto é o morador de rua e é nesses lugares que eles mais se concentram.

Além dos empréstimos de livros semanais, a Bicicloteca possui internet e é usada para ajudar os moradores em inscrições de cursos educacionais e na elaboração de documentos. Quem quiser também pode doar livros para a biblioteca itinerante, basta deixá-los na Rua José Bonifácio, 398 – perto do Metrô Anhangabaú.

Para 2012, o sonho de Lincoln é expandir o projeto e ter três Biciclotecas rodando em São Paulo e nove no resto do país. “Não é um projeto só de São Paulo, a ideia é ir para o resto do Brasil”, finalizou o presidente.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Criação

Há no amor um momento de grandeza,
que é de inconsciência e de êxtase bendito:
os dois corpos são toda a Natureza,
as duas almas são todo o Infinito.

Um mistério de força e de surpresa!
Estala o coração da terra, aflito;
rasgá-se em luz fecunda a esfera acesa,
e de todos os astros rompe um grito.

Deus transmite o seu hálito aos amantes;
cada beijo é a sanção dos Sete Dias,
e a Gênese fulgura em cada abraço;

porque, entre as duas bocas soluçantes,
rola todo o Universo, em harmonias
e em glorificações, enchendo o espaço!

Olavo Bilac

Maldição

Se por vinte anos, nesta furna escura, 
Deixei dormir a minha maldição,
_ Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.
E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão...

Maldita sejas pelo ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!

Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!...

Olavo Bilac

O Sonho

Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!


Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.


Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.


Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa...

Olavo Bilac

Via Láctea

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo 
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e entender estrelas".

Olavo Bilac

Do teu, no exílio em que a chorar me vejo


Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.


Olavo Bilac

Ouvir Estrelas

Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas.

Olavo Bilac

Um beijo

Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!

Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...

Olavo Bilac