Pesquisar sobre postagens antigas do Blog

Siga o Blog, nas redes sociais

terça-feira, 9 de outubro de 2012

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido 
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto espediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.

Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo.

Abaixo os puristas.
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.

De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar &agraves mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare.

- Não quero saber do lirismo que não é libertação.

Manuel Bandeira

Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...

Manuel Bandeira

A Cópula

Depois de lhe beijar meticulosamente 
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira

Meu Quintana, os teus cantares



Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.


Manuel Bandeira

ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A moça mostrava a coxa

A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não mostrava aquilo
- concha, berilo, esmeralda -
que se entreabre, quatrifólio,
e encerrra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
á visão dos seios claros,
qua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o maximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-dalva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quando mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...

Carlos Drummod de Andrade 

O tempo passa ? Não passa

O tempo passa ? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

Quero



Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amo, amo,amo,amo,amo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

domingo, 7 de outubro de 2012

Amigas verdadeiras, amigas irmãs...

Daquelas que cuidam da beleza uma da outra,

que choram uma no colo da outra,

do tipo que come do mesmo prato e no mesmo prato se nescessário...

Somos francas...

Estamos em sintonia.

Umaa amizade real!

Mesmo quando bate a saudade...

Aquela distancia que incomoda.

Mesmo nos momentos de desapontamento.

Real, sincera e inabalável

Nossa força vem acompanhada de uma mão que nos alivia o jugo.

Mesmo nos momentos de rivalidade estamos juntas na alma.

"Ainda estou aqui...

Tua força me sustenta.

Entendas meu afeto e aceite meu carinho.

Não guardes magoas minhas,

seja sempre minha parceira.

Amigas de Maio




Companheira a vida nos aguarda...

Sempre espreita nossas almas.

Tua amizade me ilumina a vida.

Como margaridas na janela...

Quero ver-te feliz, sorridente, cantarolando sua música favorita.

Quero sempre te encontrar, te revelar meus segredos, intimos e profundos.

Quero te servir de apoio quando precisares, de uma Amiga!"

Rosangela Ataide

O poder da amizade

Existem momentos em suas vidas que precisam se preservar e que suas amizades sejam limitadas e escolhidas a dedo. Lembrando que não pode desperdiçar novas amizades, afinal vivemos de oportunidades e, também precisamos criá-las quando não nos surgem. Você tem que gostar do bom gosto... gostar de pessoas reais... fazer qualquer coisa para não perder uma amizade. Tem que saber quando dizer ‘TE AMO’,mas também tem que saber dizer ‘NÃO TE CONHEÇO’ ou ‘JÁ TE CONHECI’ e, isso vai depender de como agirão com você. Tem que ser real, jamais ser grosso e, acima de tudo, ser verdadeiro. Tem quer ser alguém que luta pelo melhor da vida, não só pelo que almeja, mas também ajudar a quem possa ajudar e precise de ajuda, embora desconheça-o(a ). Faça o melhor e dêem sempre o melhor - não exija nada em troca, apenas exija que cada um reconheça os valores que são lhes dados e q saiba retribuir, e/ou agradecer com generosidade. As suas atitudes nunca e jamais deverão depender das dos outros(jamais faça algo se baseando em outro alguém. jamais se troque pelo troco de valores inferiores), não que você seja melhor do que ninguém, mas quando se trata de denegrir a imagem e/ou o estado físico de alguém, seja sim, melhor, porque você não tem esse vício e, sua personalidade, bem como seu caráter não se adaptam a esse mal que atinge boa parte da população... aceite sua vida da forma de como ela lhe acontece... embora muitos digam, inclusive muitos filósofos já disseram q: ‘’o nosso destino é tentar mudar o nosso próprio destino’’. Em parte isso é verdade, em outra, não. Sabe-se que cada um tem visões diferenciadas das coisas que lhes acontecem na vida... goste da simplicidade... do realismo... não goste do 'talvez'... goste da certeza do 'sim' ou do 'não, goste do que seja uma solução e não uma dúvida. Odeiem o 'quase' também... são situações que lhes deixam escapar oportunidades que passam pelas pontas dos dedos e não conseguem-se pegá-las.
É por conta de um 'quase' que algo bom pode deixar de lhe acontecer... é por conta de um 'talvez' que você fica indeciso... dentre tantas coisas. Não seja do tipo que passa por cima de tudo para conseguir o que deseja, apenas passe pelo que é necessário e correto pra ter em mãos o que almeja, ou melhor, o que necessita, afinal um desejo não é uma necessidade. Deus lhe dá o que necessita e não o que deseja – desejo é uma coisa passageira, e a necessidade é o que se precisa para a progressão de sua vida.
Às vezes seja crítico, mas sempre com críticas que sejam levadas pelo lado bom de tudo e todos. Goste de críticas, mas aquelas q sejam construtivas. Se alguém quer discutir um fato, então que debata com discernimento, que saiba fazer com que suas idéias correspondam com a verdade, com realidade da coisa/do fato etc. sejam igual a todo mundo, só que com umas visões das coisas de modo diferente - com algo que lhe torne único e de modo que seja visto como pessoa, sem transmitir medo ou receio de alguém se aproximar de você. Assim como você quer chance, então tem que dar chance.
Não tenha uma vida como um livro aberto, mas garanta que, quem lê-lo, irás lhe conhecer, basta que freqüente sua biblioteca(que faça parte de sua vida).

Jozaphar Scoocy