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domingo, 21 de abril de 2013

Tiradentes

Tiradentes



Tiradentes foi um mártir da inconfidência mineira. Recebeu esse apelido porque era dentista, mas seu nome era Joaquim José da Silva Xavier.

Tornou-se mártir porque lutou pela liberdade do Brasil do domínio português, principalmente do Estado de Minas Gerais, onde era feita a extração de ouro em grandes quantidades.

A essa luta, esse movimento, deram o nome de Inconfidência Mineira, que aconteceu no ano de 1789, pois o povo brasileiro pagava impostos caríssimos para Portugal, sendo que eles se apossavam de nossas matérias primas para vendê-las para o restante da Europa, ou seja, Portugal tomava as riquezas do Brasil e ainda cobrava impostos por isso, enriquecendo às nossas custas.

Museu da Inconfidência
Como principais objetivos dessa luta tinham: a autonomia dessa província; formar um governo republicano que não dependesse mais de Portugal, onde seu presidente seria Tomás Antônio Gonzaga; fazer de São João Del Rei a capital; construir uma universidade nesta cidade e libertar apenas os escravos nascidos no Brasil.

Porém Tiradentes e os outros inconfidentes foram denunciados ao governo de Portugal, e acabaram sendo presos juntamente com seus opositores. Tiradentes assumiu sozinho a responsabilidade do movimento e foi condenado à morte.

No dia 21 de abril de 1792, na cidade do Rio de Janeiro, percorreu o trajeto até a cadeia pública, onde o governo aproveitou-se da situação para mostrar seu poderio contra manifestantes de ideologias contrárias, como forma de inibir outras manifestações. Após a leitura da sentença que o condenava, morreu enforcado. Neste dia é feriado nacional, em homenagem à sua morte.

Na cidade de Ouro Preto está localizado o Museu da Inconfidência Mineira, mais precisamente na Praça Tiradentes, preservando a memória dessa parte histórica da região. Além desses, o museu também possui documentos históricos do ciclo do ouro no Brasil, com obras de Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde.

Por Jussara de Barros
Pedagoga
Equipe Escola Kids

sexta-feira, 19 de abril de 2013



Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...

Manuel Bandeira

A Cópula



Depois de lhe beijar meticulosamente
o cu, que é uma pimenta, a boceta, que é um doce,
o moço exibe à moça a bagagem que trouxe:
culhões e membro, um membro enorme e turgescente.

Ela toma-o na boca e morde-o. Incontinenti,
Não pode ele conter-se, e, de um jacto, esporrou-se.
Não desarmou porém. Antes, mais rijo, alteou-se
E fodeu-a. Ela geme, ela peida, ela sente

Que vai morrer: - "Eu morro! Ai, não queres que eu morra?!"
Grita para o rapaz que aceso como um diabo,
arde em cio e tesão na amorosa gangorra

E titilando-a nos mamilos e no rabo
(que depois irá ter sua ração de porra),
lhe enfia cona adentro o mangalho até o cabo.

Manuel Bandeira

O BICHO




VI ONTEM um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

Meu Quintana


Meu Quintana, os teus cantares
Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.

Manuel Bandeira

ARTE DE AMAR


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.Manuel Bandeira

“Quero a delicia de poder sentir as coisas mais simples”

“Quero a delicia de poder sentir as coisas mais simples”, confessou Manuel Bandeira, poeta brasileiro contemporâneo do ideal e dos artistas que viveram a Semana de Arte Moderna de 1922.

Vamos preservar nossas matas

Isto não é uma bela imagem.....

Como muda algumas cidades

Manuel Bandeira




Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife, no dia 19 de abril de 1886. Foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Mudou-se ainda jovem para o Rio de Janeiro. Em 1903, transferiu-se para São Paulo, onde iniciou o curso de engenharia na Escola Politécnica. No ano seguinte, abandonou os estudos por causa da tuberculose e retornou para o Rio, onde escreveu poesia e prosa, fez crítica literária e deu aulas na Faculdade Nacional de Filosofia. Por causa da doença, passou longos períodos em estações climáticas no Brasil e na Europa. Entre 1916 e 1920, perdeu a mãe, a irmã e o pai.

Em 1917, publicou A Cinza das Horas, de nítida influência parnasiana e simbolista. Dois anos depois, lançou Carnaval, fazendo uso do verso livre. Já se mostrava um dos precursores da linha modernista, e Mário de Andrade o chamaria de "São João Batista do modernismo brasileiro". Apesar disso, em 1922, por não concordar com a intensidade dos ataques feitos aos parnasianos e simbolistas, não participou diretamente da Semana de Arte Moderna (nem sequer viajou para São Paulo).

No entanto, seu poema "Os Sapos", lido por Ronald de Carvalho na segunda noite do acontecimento, provocou muitas reações. Nele, Bandeira se vale mais uma vez do verso livre, principal característica de sua obra:

"Enfunando os papos,/ Saem da penumbra,/ Aos pulos, os sapos./ A luz os deslumbra./ Em ronco que aterra,/ Berra o sapo-boi:/ 'Meu pai foi à guerra!'/ 'Não foi!' - 'Foi!' - 'Não foi!'"

Com O Ritmo Dissoluto (1924) e Libertinagem (1930), temos um poeta totalmente integrado no espírito modernista. Libertinagem apresenta alguns poemas fundamentais para entender a poesia de Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poética", "Evocação do Recife" e outros. Aparecem ali seus grandes temas: a família, a morte, a infância no Recife, os indivíduos que compõem as camadas mais baixas da sociedade.

Apesar dos amigos e das reuniões na Academia Brasileira de Letras (para a qual foi eleito em 1940), Bandeira viveu solitariamente. Apesar de ser um apaixonado pelas mulheres, nunca casou: dizia que "perdeu a vez".

Morreu no dia 13 de outubro de 1968, aos 82 anos, de parada cardíaca – e não de tuberculose, a doença que o acompanhara durante parte tão grande de sua vida.

Referências: Wikipédia e UOL Educação.