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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Chega de Saudade


Vai, minha tristeza, e diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe, numa prece, que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade, a realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas, se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim
Não quero mais esse negócio de você viver assim
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim.

Vinícius de Moraes

Amor em paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz.

Vinícius de Moraes

Nem tudo é fácil


É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

Cecília Meireles

NADA COMO O TEMPO


Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela.

Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o "alguém" da sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.

O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!


desconhecido

Canção do amor que chegou


Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
Quem jamais poderia supor
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
Brotaria essa flor inocente
Chegaria esse amor de repente
E o que era somente um vazio sem fim
Se encheria de cores assim

Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim

in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro".

Vinícius de Moraes

Ai de quem ama


Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus.


Vinícius de Moraes

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Primeira Programadora da História (Ada Lovelace)



Ada Byron King, a condessa de Lovelace, foi uma das poucas mulheres a figurar na história do processamento de dados. Nasceu em Londres, no dia 10 de Dezembro de 1815. O seu nome de batismo foi Augusta Ada King, Lady Lovelace para a posteridade. O seu pai era Lord Byron, um poeta muito famoso, e sua mãe era Anne Isabelle Milbanke, da qual adquiri
u o amor pela Matemática.

Histórico:

Seu pai deixou sua mãe um mês após seu nascimento e deixou a Inglaterra quatro meses depois, morrendo em 1823 na Grécia, sem nunca ter visto a filha. Herdeira de grande fortuna, sua mãe não queria que sua filha fosse poeta como o pai e procurou dar-lhe uma educação em matemática e música. Transitando com a mãe pela nobreza intelectual londrina, foi levada por Mary Somerville, uma tradutora de trabalhos científicos em Cambridge, para conhecer (1833) Charles Babbage, professor de matemática em Cambridge, conhecido como o inventor da Difference Engine, uma máquina de calcular que operava com elementos finitos.

Ada foi educada como muitos aristocratas da altura, através de tutores pessoais. Manifestou desde logo uma enorme aptidão para a Matemática. Seus estudos mais avançados foram feitos sob a supervisão de De Morgan. Então, ela utilizou seus conhecimentos matemáticos para criar programas para a máquina de Babbage, tornando-se a primeira programadora de computador do mundo. Inventou o conceito de subrotina: uma seqüência de instruções que pode ser usada várias vezes em diferentes contextos. Ela descobriu o valor das repetições - os laços (loops): deveria haver uma instrução que retornasse a leitora de cartões a um cartão específico, de modo que a seqüência pudesse ter sua execução repetida. Ela sonhava com o desvio condicional: a leitora de cartões desviaria para outro cartão "se" alguma condição fosse satisfeita.

Nos anos 70, a linguagem ADA foi desenvolvida e batizada em homenagem a Ada Lovelace. É baseada em PASCAL, sendo uma linguagem desenhada para ser legível e facilmente mantida.

Infelizmente essa brilhante cientista morreu de câncer, no dia 27 de Novembro de 1852, com apenas 37 de idade, e foi enterrada ao lado do pai que ela nunca conheceu.

Um Pouco de Clarice Lispector

Hoje Clarice Lispector iria completar 92 anos de idade e você sabe quem foi Clarice Lispector , para isto ai em baixo tem uma pequena biografia da história de uma das maiores escritoras brasileiras .


Biografia 

Em 1975, Clarice Lispector compareceu ao I Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá. Sua participação, limitada à leitura de um conto, confirmou a opinião de muitos críticos: ela tecia encantamentos com as palavras. 

Clarice nasceu em Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10 de dezembro de 1920. Veio ainda bebê para o Brasil, onde seus pais levavam uma vida de comerciantes judeus pobres, primeiro no Nordeste, depois no Rio de Janeiro. A partir de 1939, já na Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, trabalhou como tradutora e secretária. No ano seguinte, tornou-se redatora e repórter da Agência Nacional, iniciando sua carreira jornalística. 

Em 1943, Clarice terminou o curso de Direito, casou-se com o colega de faculdade e futuro diplomata Maury Gurgel Valente e publicou seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem. No ano seguinte, o casal se mudou para Nápoles. Na Europa, Clarice terminou seu segundo romance, O Lustre, e trabalhou num hospital, cuidando de pracinhas feridos. Em 1946, o casal estava na Suíça, onde Maury era diplomata. Em Berna, ela teve seu primeiro filho, Pedro (1948), e terminou de escrever A Cidade Sitiada. Trabalhava com a máquina no colo, para cuidar da criança. 

Na década de 1950, Clarice e a família fixaram-se nos Estados Unidos, onde nasceu seu segundo filho, Paulo, em 1953. Seis anos depois, separada do marido, voltou ao Brasil com os filhos e retomou as traduções e o jornalismo. Em 1960, com 40 anos, lançou seu primeiro livro de contos, Laços de Família. Em 1961, publicou o romance A Maçã no Escuro, considerado o melhor livro do ano. Seguiram-se os contos de A Legião Estrangeira e o romance A Paixão Segundo G. H., ambos de 1964, aclamados pela crítica e pelo público. 

Em 1966, Clarice sofreu um duro golpe: adormeceu com um cigarro aceso e um incêndio no quarto provocou queimaduras por todo o seu corpo. Sua beleza foi atingida, mas não o seu status de primeira-dama das letras brasileiras. Em 1977, lançou a novela A Hora da Estrela, adaptada para o cinema. Morreu no mesmo ano, vítima de câncer.

Clarice Lispector, investigadora de intimidades


             Clarice Lispector em 1970: enigmática primeira-dama da ficção brasileira. Foto: 

Pedro HenriqueClarice Lispector em 1970: enigmática primeira-dama da ficção brasileira. Foto: 

Pedro Henrique
Clarice Lispector mergulha na intimidade dos seus personagens e a investiga profundamente, em busca do que seria o próprio núcleo existencial dessas criaturas. Utiliza para isso uma prosa rica em características poéticas - sonoridades, analogias, figuras de linguagem - e a exposição do fluxo psicológico dos personagens. Muitas vezes, eles adquirem a consciência do próprio existir a partir de uma iluminação repentina produzida por um fato aparentemente menor. Esse momento crucial de descoberta de si mesmo e toda a solidão e as dúvidas que essa descoberta revela ao ser humano constituem os temas recorrentes da ficcionista.

Escrever é, assim, um processo de conhecimento da realidade psicológica dos seres, essencialmente emocional e intuitivo. E por meio dele se desvendam segredos íntimos, desejos reprimidos, pensamentos constrangedores, atinge-se a intimidade mais profunda. Esse mergulho na alma humana é marca de muitos prosadores de nossos dias. Lygia Fagundes Telles, Osman Lins, Ivan Ângelo, Samuel Rawet, Nélida Piñon produzem textos que revelam alguma influência dos de Clarice, feiticeira das palavras.

Passagem da Noite


Carlos Drummond de Andrade

Foto: Passagem da Noite  
Carlos Drummond de Andrade

É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.

E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos, saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.

Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)

mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.

E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?
É noite no meu amigo.
É noite no submarino.
É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos, saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.

Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos!
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!