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sábado, 1 de março de 2014

Será que escutamos? - por M. Cristina Andersen


Há uns anos, em uma palestra, me fizeram a seguinte pergunta:

“Por que não somos avisados do que vai nos acontecer ou às pessoas que amamos?”

A resposta que dei foi:

“Quem disse que não somos avisados? E se somos avisados, será que escutamos?”

Provavelmente não foi a resposta que ela esperava.

Muitas vezes somos avisados: de coisas que vão nos acontecer, de posturas que temos que tomar, de mudanças de rota que devemos fazer em nossa vida. Às vezes, elas vêm através de um filme, de um livro, de pessoas ou num sonho.

É interessante observar, que esses avisos muitas vezes aparecem escancaramos a nossa frente, mas estamos tão envolvidos nas atividades dos dia a dia, focados em nossos desafios e preocupados com o que está acontecendo conosco, que não o vemos e nem o ouvimos. Nossa mente está tão repleta, que acabamos por não prestar atenção aos alertas.

Por outro lado, há situações nas quais recebemos o aviso e interpretamos mal.

“Por que isso acontece?”

No decorrer de nossas vidas, desde que nascemos vamos sendo moldados. Criamos padrões emocionais, mentais e até espirituais, que servem de base e de referencia para interpretarmos o mundo em que vivemos.

Para tornar consciente da informação recebida, ela passa pelos nossos sentidos e é decodificada. Usando como base nossos padrões, transforma-a em pensamentos ou sensação de forma a ser compreendida por nós.

Cada pessoa criou seus padrões e é por isso, que um mesmo evento é percebido/ entendido de maneira diferente.

O fato de alguém falar conosco, não significa que compreendemos o que ela está dizendo.

Maluco, não é mesmo?

Mas isso acontece muito mais do que se imagina.

Tudo o que nos acontece na vida, sejam boas ou ruins, nos condicionam e nos fazem criar filtro. Tornamo-nos seletivos com relação ao que percebemos do mundo.

Durante nossa vida, entramos em contato com o mundo e aprendemos seus significados. Esse contato pode ser através da visão, da audição, do paladar, do olfato e do tato. Toda essa informação é armazenada. Quando nos deparamos com algo novo, buscamos em nossa “caixinha” as informações que, ao se comporem, permitem que compreendamos o novo.

Por exemplo: Após ver várias mesas, tenho armazenado uma série de informações sobre “mesa”. Se eu vejo uma mesa diferente, vou procurar em minha “caixinha” as informações que possam me fazer identificar o que estou vendo e me fazer entender que o objeto é uma mesa.

Quando eu não tenho muitas informações em minha “caixinha” e me deparo com algo novo, posso interpretam mal a informação recebida. É por isso que muitas erramos na interpretação do aviso.