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quarta-feira, 28 de março de 2012

Milhares protestam em Mali contra intervenção externa



Milhares de manifestantes gritaram slogans pró-junta militar na capital do Mali nesta quarta-feira, protestando contra as ameaças de potências estrangeiras de usar sanções para forçar os líderes do golpe da semana passada a abandonar os cargos.

O golpe, visto como um revés para frágeis conquistas democráticas na África, foi desencadeado pela ira do Exército com a forma como o presidente Amadou Toumani Touré lidou com uma rebelião tuaregue no norte, que nas últimas semanas ganhou força e infligiu perdas no Exército.

Vizinhos regionais disseram que estavam dispostos a recorrer a sanções e a possível força militar para desalojar os novos líderes do Exército do Mali, instando-os a entregar o poder de volta para os civis, enquanto a França suspendeu a ajuda ao país.

"Quero que a comunidade internacional cale a boca. Esta é a nossa revolução", disse o jovem líder Oumar Diara no comício, o maior da capital de Mali, Bamako, desde que Touré foi deposto.

"Nós, os jovens, podemos viver sem a comunidade internacional. Temos vivido com os olhos fechados, mas agora estamos acordando", afirmou ele.

Os manifestantes gritavam "vitória" e "Abaixo Sarkozy, abaixo os ocidentais", enquanto um membro sênior da junta, Oumar Mariko, chamou aqueles que pressionavam por sanções contra o Mali de "traidores". Faixas traziam os dizeres "Vida longa ao Exército!" e "Reencontrar a Dignidade!".

Os soldados dizem que não têm as armas ou os recursos para deter rebeldes do norte liderados pelos tuaregues.

"Eles (os golpistas) devem ficar para resolver os problemas no norte, a corrupção e a educação. Isso é mais importante do que as eleições", disse um manifestante, Khalifa Sogo, sobre a insatisfação sentida por muitos malianos com o regime de Touré.

Mais cedo, os líderes golpistas do Mali anunciaram uma nova Constituição, incluindo a promessa de permitir as eleições nas quais eles seriam impedidos de participar. O documento não especificou quando as eleições seriam realizadas.

Morre tibetano que se imolou em Délhi; manifestantes são presos

AFP


NOVA DÉLHI — O tibetano exilado que ateou fogo ao próprio corpo na segunda-feira em Nova Délhi morreu nesta quarta-feira, enquanto uma centena de outros manifestantes contrários à visita do presidente chinês Hu Jintao a capital indiana foram presos pela polícia.

Jamphel Yeshi, 27 anos, imolou-se durante um protesto em pleno centro da cidade. Com o corpo em chamas, correu pela rua aos gritos.

É a primeira vez que um tibetano morre desta maneira em um outro país que não a China. Suicídios similares acontecem com frequência desde março de 2011 nas regiões tibetanas chinesas.

A manifestação desta quarta-feira foi convocada por tibetanos exilados na Índia por ocasião da visita de Hu Jintao, que participará em uma reunião com os países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na quinta-feira, para alertar contra a repressão chinesa ao Tibete.

Segundo testemunhas, a polícia prendeu nesta quarta-feira dezenas de manifestantes, incluindo muitas mulheres, reunidos no mesmo local em que Yeshi cometeu o ato de imolação.

Estudantes tibetanos afirmaram ainda que a polícia os impediu de sair de suas casas e que as forças de segurança patrulhavam os bairros em que residem tibetanos exilados, na zona norte da capital.

"Eu estou preso desde ontem em minha casa com 150 outros estudantes", declarou à AFP Paldin Sonam, 24 anos, militante tibetano que estuda na Universidade de Nova Délhi.

"A polícia diz que tem medo que as pessoas façam a mesma coisa que Yeshi".

O porta-voz da polícia de Nova Délhi, Rajan Bhagat, assegurou que a polícia não foi enviada "às residências dos tibetanos, mas foi dada a ordem de não protestarem durante a reunião".

"Os manifestantes foram levados para longe do local de protesto, pois não tinham permissão", acrescentou.

A morte de Yeshi, que fugiu de seu país em 2006, foi constatada na manhã desta quarta-feira no hospital Ram Manohar Lohia.

"Seu corpo parou de funcionar. Ele tinha 98% do corpo queimado", disse à AFP o diretor do setor de queimaduras, L.K. Makhija.

Tibetanos que participavam da manifestação descreveram Yeshi como um homem sem emprego estável e que preparou com cuidado a ação. Ele tinha escondido uma garrafa de gasolina com a qual se molhou.

Antes do anúncio da morte, Tenzing Choegyal, membro do Congresso da Juventude Tibetana, afirmou que seu amigo nunca esqueceu a tortura que sofreu pelos chineses no Tibete.

"Yeshi era um prisioneiro político no Tibete. Foi preso duas vezes pela polícia", contou à AFP.

Quase 30 tibetanos, em sua maioria monges budistas, imolaram-se ou tentaram desde março de 2011.

Muitos tibetanos afirmar sofrer com a repressão religiosa e cultural, considerada com uma forma de dominação dos Han, etnia majoritária na China.

A China rejeita as acusações e considera o líder espiritual dos tibetanos, o Dalai Lama, um perigoso separatista.

MMX perto de obter licença para triplicar produção

Reuters Brasil


RIO DE JANEIRO, 28 Mar (Reuters) - A MMX, mineradora do empresário Eike Batista, pode receber nos próximos dias a licença que faltava para iniciar a construção do complexo que expandirá a mina de Serra Azul, abrindo caminho para a mineradora quase triplicar sua produção.

O assunto está previsto para ser tratado na próxima segunda-feira reunião do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), segundo informação disponível no site do órgão.

"Estamos preparados para começar a construção imediatamente, com contrato pronto, empreiteiros à disposicao", afirmou o presidente e diretor de Relações com Investidoros da MMX, Guilherme Escalhão, em teleconferência para analistas de mercado nesta quarta-feira.

A licença de instalação aguardada pela MMX permitirá a construção do complexo de beneficiamento de Serra Azul, situada na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, que fará a produção da MMX passar de 8,7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano para 24 milhões de toneladas anuais.

O projeto, com perspectiva de entrada em operação no primeiro trimestre de 2014, prevê usina terminal ferroviário, um transportador de correia de longa distância, adutoras e estrutura para transmissão de energia.

"Cumprimos todos os requisitos, temos já licença inicial para o complexo de beneficiamento, obtida em agosto passado, e estamos prontos para obter a licença de implementação e de construção; esperamos que isso aconteça em breve", acrescentou o executivo.

A partir da licença, a empresa poderá obter financiamento para o projeto, que deverá consumir 4 bilhões de reais em investimentos. A empresa pretende financiar 75 por cento deste valor.

US$1 BI DOS ASIÁTICOS

O executivo informou na teleconferência que a empresa recebeu recentemente carta de intenção de bancos de fomento da China e da Coreia em valor que soma 1 bilhão de dólares.

A companhia da holding controlada por Eike Batista negocia com bancos de desenvolvimento da China e da Coreia do Sul, além do BNDES, financiamentos para cobrir parte dos investimentos do projeto de minério de ferro de Serra Azul.

A chinesa Wuhan Iron & Steel (Wisco) possui participação de 16 por cento na MMX, enquanto a coreana SK Networks detém 14 por cento. As duas fecharam contratos de 20 anos de fornecimento de minério de ferro com a empresa de Eike Batista.

A companhia informou em novembro que negociava na China com o CBC (China Development Bank) e com o Export-Import Bank of China. Na Coreia, da mesma forma, com o KDB (Korean Development Bank) e o Korea Exim. Itaú BBA e WeltLB foram contratados para auxiliar nas negociações.

AÇÕES EM ALTA

A expectativa de liberação da licença - e de financiamento -impulsionou os as ações da MMX neste ano. Depois de amargar queda constante a partir do segundo semestre do ano passado, as ações da companhia passaram a subir em 2012.

De janeiro até o fechamento desta terça-feira, os papéis acumulam alta de 39 por cento e, segundo um analista, a alta se deve às perspectivas de obtenção da licença.

PORTO DO SUDESTE

A expectativa da companhia é que já em abril haja audiências públicas para a análise de projetos ambientais necessárias ao desenvolvimento do Porto do Sudeste.

O minério de ferro produzido na Unidade de Serra Azul será exportado pelo Superporto Sudeste, que está em fase avançada de construção no município de Itaguaí (RJ). O Superporto Sudeste terá capacidade operacional de 50 milhões de toneladas por ano, na primeira fase, e a MMX já trabalha na expansão para 100 milhões de toneladas numa segunda fase.

Em setembro, a MMX arquivou no órgão ambiental do Rio de Janeiro EIA/RIMA requisitando a licença para a expansão da capacidade do Superporto Sudeste e tem como próximo passo para o licenciamento a realização de audiências publicas nas comunidades ao entorno, em Itaguaí.

China é parceiro do Brics com o qual o Brasil tem maior estabilidade



Brasília – A China figura como o parceiro comercial onde as exportações brasileiras tiveram maior estabilidade no índice de complementaridade comercial (IC), entre 2000 e 2010, comparado às importações daquele país, no âmbito do Brics – bloco que reúne o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul.

De acordo com o pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Flávio Lyrio Carneiro, coordenador de estudo divulgado hoje (28) no Boletim de Economia e Política Internacional, o Brasil tem possibilidade de equilibrar esse fluxo comercial com mais reciprocidade em muitas categorias de produtos.

A Índia foi, no período, o parceiro comercial cujas importações foram menos complementares às exportações brasileiras, seguida da Rússia e da África do Sul.

O IC do Brasil com a China subiu, no período analisado, de 9% para 17% na área de produtos primários; e de 28% para 32%, de manufaturados. O índice caiu de 24% para 14% em produtos de baixa tecnologia e de 34% para 31% em produtos de alta tecnologia.

Com a Rússia, a distribuição do total de produtos com IC subiu de 12% para 14% no período; caiu de 26% para 24% na área de manufaturados; de 24% para 18% na área de baixa tecnologia, subindo de 33% para 38% na área de alta tecnologia. Já o IC dos produtos primários subiu de 24% para 59%; dos manufaturados caiu de 74% para 40%; e o IC dos produtos de baixa e alta tecnologia ficou estável no período.

Entre o Brasil e a Índia, a distribuição do total de produtos com IC registrou queda de 10% para 9% nos produtos primários; de 34% para 31% nos manufaturados; e de 17% para 13% em produtos de baixa tecnologia. Já nos produtos de alta tecnologia, houve elevação do IC de 34% para 41%.

Com a China, houve clara tendência de expansão do IC nas categorias dos produtos primários e de manufaturas, em detrimento da indústria de baixa e média tecnologia, enquanto, na alta tecnologia, o índice manteve-se relativamente estável.

Para Flávio Carneiro, essa trajetória pode significar um reforço à tendência de ampliação da participação dos produtos primários e de manufaturas na pauta exportadora do Brasil. Na média tecnologia, há complementaridade em pouco menos de um terço dos produtos no comércio com a China.

Nas exportações brasileiras para a Índia, a categoria de média tecnologia assume posição de destaque ao chegar aos 40% em 2010. A contrapartida de IC da Índia na área de manufaturas apresentou ligeiro decréscimo, ao contrário do verificado com a China, não tendo havido acréscimo na parcela referente aos produtos primários. A redução na concentração dos produtos de baixa tecnologia foi comum a ambos, assim como a reciprocidade comercial na categoria de alta tecnologia.

Morre escritor Millôr Fernandes aos 87 anos

Millôr foi dono de talento multifacetado  / Marcos de Paula/AE

Morreu na noite dessa terça-feira, dia 27, no Rio de Janeiro, o escritor carioca Millôr Fernandes. Ele tinha 87 anos e teve falência múltipla de órgãos em sua casa.
Segundo o jornalista da Band Ricardo Boechat, que conversou com o filho de Millôr, Ivan Fernandes, o corpo do escritor permanecerá hoje em uma funerária e será velado nesta quinta-feira, dia 29, a partir das 10h, no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária da capital. Em seguida, às 15 h, o corpo será cremado.
Em 2011, o escritor foi internado duas vezes na Casa de Saúde São José, também no Rio, mas os motivos da internação não foram divulgados.

Em entrevista ao canal GloboNews na manhã de hoje, o jornalista Zuenir Ventura lamentou a morte do amigo. "É realmente uma perda. A perda de um gênio. É uma perda para o jornalismo, para o teatro, para a literatura, porque o Millôr fazia tudo", afirmou.

Talento multifacetado

Além de escritor, Millôr também foi desenhista, jornalista e dramaturgo de destaque.

Nascido em 27 de maio de 1924 - segundo sua certidão de nascimento, mas a família diverge sobre o registro da data correta - o escritor ficou órfão de pai um ano depois e aos dez anos perdeu a mãe. Com pouca idade, viu sua família se separar e cada irmão teve de ir morar com um parente.

"Morto meu pai. Nessa idade a orfandade passa impressentida. Mas a família - mãe com quatro filhos - cai de nível imediatamente", escreveu o jornalista na biografia apresentada por seu site oficial.

"Morta minha mãe. Sozinho no mundo tive a sensação da injustiça da vida e concluí que Deus em absoluto não existia. Mas o sentimento foi de paz, que durou para sempre, com relação à religião: a paz da descrença", acrescentou ainda sobre as perdas.

Aos 14 anos, entrou na carreira jornalística e aos 19, na revista "O Cruzeiro", que viu em seis anos sua tiragem subir de 11 mil para 750 mil exemplares, tornando-se uma grande influência na formação da opinião pública no Brasil.

Em 1957, aos 33 anos, expôs seus primeiros desenhos no Museu de Arte Moderna.

Millôr também for um dos criadores do jornal "O Pif-Paf" que, apesar de ter durado apenas oito edições, é considerado o ínicio da imprensa alternativa no Brasil. Colaborou ainda ativamente com "O Pasquim", publicação de forte oposição ao regime militar.

O escritor ainda traduziu várias peças de Shakespeare, tornando-se referência no meio teatral. Também colaborou em jornais como "O Globo" e "O Estado de S. Paulo", além da revista "Veja".

Na virada do século, lançou seu site oficial "Millôr Online". Mesmo com a avançada idade, foi sempre ligado a internet, às redes sociais, e possuía conta no Twitter com mais de 360 mil seguidores.



deixa seu cometário a respeito do escritor Millôr 

Fidel Castro faz três perguntas ao Papa

AFP


HAVANA, Cuba — O pai da revolução cubana, Fidel Castro, teve uma "conversa muito animada" nesta quarta-feira, em Havana, com o Papa Bento XVI, a quem fez algumas perguntas, entre elas sobre o sentido das mudanças litúrgicas nas missas, relatou o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi.
 
"Soube pelo próprio Papa como se desenvolveu o encontro. Segundo Bento XVI foi uma conversa muito animada, com muitas trocas de argumentos", disse o padre Lombardi aos jornalistas, sobre o encontro de 30 minutos entre os dois líderes, na sede da Nunciatura Apostólica.

"O diálogo foi intenso e cordial", comentou.

"Fidel queria conhecer o pensamento do Papa sobre diversos temas", disse Lombardi, destacando que o "Comandante", ex-aluno dos jesuítas, leva "uma existência dedicada à reflexão sobre a cultura e o mundo de hoje".

"Ele (Castro) perguntou ao Papa, em primeiro lugar, sobre as mudanças litúrgicas na celebração da missa, ouvindo de Bento XVI as explicações sobre o sentido dessa renovação", segundo o padre Lombardi.

"Depois, Fidel Castro quis saber sobre o trabalho apostólico de um Papa, sua missão e tarefa.

"Al final, indagou sobre as dificuldades vividas pela Igreja nos tempos de hoje". O Santo Padre mencionou a complexidade das religiões em responder aos "desafios" da modernidade.

Disse também que as dificuldades enfrentadas pela humanidade são causadas pela ausência de Deus. E expôs seus temas de reflexão: as relações entre a fé e a razão, entre a liberdade e a responsabilidade", acrescentou o porta-voz.

Fidel Castro disse que acompanhou toda a vista pontifical a Cuba pela televisão. Os dois puseram em destaque suas idades avançadas (Castro tem 85 anos e o Papa, 84) e Bento XVI disse a Castro: "já estou velho, mas de qualquer forma, ainda posso cumprir com os meus deveres".

O Vaticano sabia há algum tempo do "grande desejo de Fidel Castro de se encontrar com o Papa", acrescentou o porta-voz.

'Vou voltar à política', diz Lula em mensagem de agradecimento



Após confirmado o desaparecimento do seu tumor na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em vídeo de agradecimento divulgado pelo Instituto Lula, sua volta à política. "Vou voltar à vida política. Vou voltar à política, porque o Brasil precisa continuar crescentdo, se desenvolvendo e distribuindo renda", diz o ex-presidente no vídeo feito pelo instituto que leva seu nome.

Na mensagem, o ex-presidente diz que vai continuar tomando cuidados com a saúde, mas acrescenta que isso não impedirá suas atividades. "Vou voltar muito mais maduro, mais calejado e também tomando cuidados com a saúde."

O ex-presidente também agradece aos médicos e funcionários do hospital Sírio-Libanês, onde realizou as sessões de quimioterapia e radioterapia, à presidenta Dilma Rousseff "que com sua experiência de ter vencido um câncer ajudou muito", ao povo brasileiro, que o apoiou com mensagens, solidariedade e oração e "àqueles que acreditam no futuro do Brasil".



Na manhã desta quarta-feira, Lula realizou exames que confirmaram que o tumor na laringe desapareceu. De acordo com o boletim médico, os exames detectaram "ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado". Lula chegou ao hospital hoje por volta das 8h e foi submetido a ressonância nuclear magnética e laringoscopia, segundo o hospital.

Emocionado - mas sem chorar - o ex-presidente telefonou para sua mulher e para Dilma para compartilhar a notícia. O terceiro a receber a notícia de Lula foi o presidente da República em exercício, deputado Marco Maia (PT-RS).

Câncer

O tratamento de Lula começou no dia 31 de outubro e incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia. A última sessão de radioterapia ocorreu no dia 17 de fevereiro. O último exame detalhado realizado por Lula, realizado em dezembro, já havia apontado uma redução do tumor de 75% em relação ao seu tamanho inicial, de 2,5 centímetros de diâmetro.

O câncer de laringe está altamente associado ao fumo e ao consumo de álcool. Se descobertos em estágio inicial, 90% dos casos são curáveis. Se o câncer se espalhou para as áreas ao redor da laringe (gânglios linfáticos e pescoço) as chances de cura ficam entre 50% e 60%. Os tratamentos incluem cirurgia para remoção do tumor, radioterapia e quimioterapia.

quinta-feira, 22 de março de 2012

China e Europa pressionam a Bovespa para baixo



Números ruins sobre a economia na China e na Europa puxam o Ibovespa para baixo nesta quinta-feira.

Às 12h10, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuava 1,61%, para 65.786 pontos. Em Nova York, Dow Jones caía 0,80%, Nasdaq perdia 0,77% e S&P500 tinha baixa de 0,97%.

O volume financeiro na Bovespa era de R$ 2,060 bilhões. Vale PNA recuava 1,83%, para R$ 40,70, e Petrobras PN caía 1,20%, para R$ 23,82.

As principais quedas do dia eram lideradas por JBS ON (-4,15%, para R$ 7,84). A empresa divulgou balanço ontem e o resultado decepcionou os analistas.

A companhia, uma das líderes no mercado mundial de proteína animal, registrou lucro líquido de R$ 25,6 milhões no último trimestre do ano passado, ante um prejuízo de R$ 539,3 milhões em igual período de 2010. No ano, a empresa teve prejuízo líquido R$ 75,7 milhões, ante resultado também negativo de R$ 292,8 milhões do ano anterior.

Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch classifica o resultado operacional do trimestre como ligeiramente pior que o esperado. A receita líquida, de R$ 16,9 bilhões, ficou 3% aquém do estimado, enquanto a geração de caixa medida pelo Ebitda ajustado, de R$ 919 milhões, ficou 7% abaixo do esperado, sobretudo em razão de resultados mais fracos nas operações de carne no Brasil e de suínos nos Estados Unidos. A margem Ebitda do trimestre ficou em 5,4%, ante expectativa de 5,7%. Já a margem Ebitda anual recuou de 6,9% para 5,1%.

Em geral, os mercados reagem a números desfavoráveis sobre atividade industrial na China e na Europa. O indicador chinês, medido pelo HSBC, cedeu de 49,6 em fevereiro para 48,1 em março, a mínima em quatro meses. Na Europa, a atividade industrial em março caiu de 49,3 em fevereiro para 48,7 em março, distanciando-se ainda mais da marca de 50, que separa contração de expansão. O número também sugere que a indústria da região encolheu no primeiro trimestre do ano.

“O mundo hoje acordou mais avesso a risco”, comenta o estrategista da Ágora Corretora, José Francisco Cataldo.

No Brasil, os números bons de IPCA-15 e emprego não se mostraram suficientes para mudar o sinal do Ibovespa. A taxa de desemprego foi de 5,7% em fevereiro, resultado maior frente a janeiro (5,5%), mas abaixo da mediana das expectativas (5,9%). Mais uma vez, a taxa de desemprego continuou menor em relação ao mesmo mês do ano passado (6,4% em fevereiro de 2011), destaca o Banco Fator em relatório.

Já o IPCA-15 fechou março em 0,25%, abaixo do consenso de mercado de 0,38%. A Gradual Investimentos lembra que o valor é significativamente menor do que o apurado em março de 2011 e 2010, quando foi de 0,60% e 0,55%, respectivamente.

Muçulmanos em França temem reacções do país ao caso Toulouse

Assim que foi confirmada a ascendência argelina e as alegadas ligações à Al-Qaeda de Mohamed Merah, o principal suspeito de ter cometido os ataques que em nove dias vitimaram sete pessoas na região de Toulouse, o receio instalou-se na comunidade muçulmana em França: em causa estavam as eventuais repercussões sociais que pudessem brotar no pais, após o devaneio terrorista de um indivíduo.

Ontem, quarta-feira, quando as autoridades ainda lidavam com a barricada de Merah na sua residência, os principais líderes e representantes das instituições muçulmanas em França começaram a lançar os seus apelos, alguns deles compilados pelo Le Monde.

Na ressaca de Toulouse, Sarkozy prometeu 'punir com a lei' o terrorismo em França.

Dalil Boubakeur, reitor da mesquita de Paris, começou por falar na «amálgama» que hoje Nicolas Sarkozy também frisou, ao explicar que «não se deve misturar a religião muçulmana, 99% pacífica, com estas mini-franjas de pessoas decididas a fazer atrocidades».

Comum a todas as declarações foi o esforço por se distanciarem dos actos alegadamente cometidos pelo suspeito de Toulouse.

Mohammed Moussaoui, presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), realçou que «este indivíduo [Mohamed Merah] não pode em caso nenhum justificar os seus actos com a religião muçulmana».

Em comunicado, o Colectivo contra a Islamofobia em França (CCIF) lembrou o massacre que Anders Breivik cometeu na Noruega – matou 77 pessoas num ataque que, como explicou, visou «traidores» que apoiavam «a colonização islâmica» -, para apelar a uma «reflexão» que «mude o clima de ódio que conduziu ao drama» de Toulouse.

Os receios estenderam-se a Driss El-Kherchi, presidente da Associação do Trabalhadores Migrantes em França (ATMF), ao alertar para o clima de «culpabilização», lembrando que existe «a preocupação de que esta é uma oportunidade para alguns partidos» de «atacarem» os muçulmanos presentes no país.

E recorde-se que, durante a sua campanha de recandidatura à presidência do país, Nicolas Sarkozy começara já a adoptar um discurso virado à direita, tendo inclusivamente dito, durante um debate televisivo, que a França tinha «demasiados estrangeiros» e que pretendia «reduzir para metade» o número de imigrantes que anualmente entram no país.

Estima-se que em França existam cerca de cinco milhões de pessoas de origem muçulmana.

IPCA-15 desacelera em março com educação--IBGE

Reuters Brasil


RIO DE JANEIRO, 22 Mar (Reuters) - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) -considerado uma prévia da ganho de 0,38 por cento em março, segundo a mediana das previsões de 17 analistas, cujas estimativas variaram entre alta inflação oficial- subiu 0,25 por cento em março, mostrando uma forte desaceleração ante a alta de 0,53 por cento registrada em fevereiro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

O resultado deste mês é o melhor para março desde 2009 -auge da crise internacional, quando teve alta de 0,11 por cento- e veio bem abaixo das expectativas do mercado. Economistas consultados pela Reuters previam de 0,32 por cento e de 0,43 por cento.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 registrou alta de 5,61 por cento, abaixo dos 12 meses imediatamente anteriores, quando ficou em 5,98 por cento. Em março do ano passado, o indicador havia registrado alta de 0,60 por cento.

De acordo com o IBGE, a desaceleração da alta do IPCA-15 deveu-se à "forte redução dos efeitos da alta sazonal do grupo educação", que ficou concentrada em fevereiro, com alta de 5,66 por cento. Em março, reduziu a 0,51 por cento. Com isto, ainda segundo o instituto, a alta de preços no segmento de produtos não alimentícios passou de 0,60 por cento em fevereiro para 0,26 por cento em março.

O grupo Alimentação e bebidas também mostrou desaceleração nas altas, passando de 0,29 por cento em fevereiro para 0,22 por cento neste mês. O grupo Despesas pessoais foi o que mais mostrou alta em março, com 0,60 por cento, enquanto na ponta oposta veio o grupo Comunicação, com deflação de 0,49 por cento.

JUROS EM QUEDA

O resultado do IPCA-15, mostrando desaceleração forte neste mês, foi considerado uma boa surpresa pelos analistas, o que corrobora que o Banco Central deve continuar reduzindo a Selic -hoje em 9,75 por cento ao ano. Para o economista-chefe da CM Capital Markets, Mauricio Nakahodo, está mantida a expectativa de pelo menos mais um corte de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros, como ocorreu no início do mês.

"Mas acho que é muito cedo para revisar (a estimativa), até porque em abril a inflação não deve vir tão baixa quanto foi em março", afirmou ele, citando preços de tarifas de energia.

O BC vem afirmando que a inflação no Brasil está convergindo para o centro da meta de 4,5 por cento pelo IPCA, para justificar a redução da Selic, de 12,5 por cento em agosto para 9,75 por cento atualmente, com a intenção de estimular a economia. O governo quer garantir uma expansão econômica na casa dos 4 por cento neste ano, após os 2,7 por cento vistos em 2011.

Além disso, O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixou claro que pretende levar a taxa básica de juros para patamares "ligeiramente acima dos mínimos históricos" e estabilizá-la neste nível. O piso já alcançado é de 8,75 por cento ao ano, que vigorou entre julho de 2009 a abril de 2010.

No relatório Focus desta semana, o mercado financeiro acompanhou essa percepção e elevou para 0,75 ponto percentual sua estimativa de corte na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom, em 18 de abril. Além disso, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi estimado em 3,30 por cento neste ano e em 4,20 por cento no ano que vem.

Em fevereiro, o IPCA subiu 0,45 por cento, após alta de 0,56 por cento em janeiro, o menor patamar em cinco ano para o período, mostrando que a inflação havia perdido força.