De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente.
Quando a luz dos olhos meus E a luz dos olhos teus Resolvem se encontrar Ai que bom que isso é meu Deus Que frio que me dá o encontro desse olhar Mas se a luz dos olhos teus Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar Meu amor, juro por Deus Que a luz dos olhos meus já não pode esperar Quero a luz dos olhos meus Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará Pela luz dos olhos teus Eu acho meu amor que só se pode achar Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Iniciou-se na Capoeira ainda menino, aprendendo-a de oitiva, coisa comum aos meninos de Salvador. Somente na década de 1960, levado por Sacy aluno de Mestre Bimba, chegou ao Centro de Cultura Física Regional-CCFR, de onde não saiu mais, formando-se lenço azul do Mestre Bimba e um dos seus mais fiéis discípulos, informação dada pelo Prof. Romario Itacare do Grupo Luanda. Foi por muito tempo da Polícia Militar Baiana, onde iniciou sua carreira de Mestre de Capoeira ensinando no quartel dos dendenzeiros. Mais tarde, com a partida de Mestre Bimba para Goiânia (1972), assumiu, juntamente com Mestre Vermelho 27, a responsabilidade pela academia do antigo Mestre no Terreiro de Jesus em Salvador. Por fim, acabou por fundar seu próprio grupo, junto do Mestre Franklin, o Grupo Luanda, com sede no Bairro do Resgate (Cabula), próximo a sua casa. O grupo tinha a intenção de realizar shows e divulgar a cultura baiana, e com ela o Maculelê, a Puxada de Rede, e principalmente, a Capoeira. Um dos maiores divulgadores da Capoeira pelo Brasil e pelo mundo, fez parte dos Grupos Folclóricos Olodum e Grupos Folclóricos Olodumaré, participando inclusive do Festival Internacional de Folclore, em Salta na Argentina. Com esses grupos obteve o primeiro lugar em dois anos consecutivos. Mais tarde, em Quito, Equador, sagrou-se também "Campeão de Folclore", recebendo o "Huminaua de Oro", e Campeão Brasileiro de Ginga. Como discípulo de Mestre Bimba é, juntamente com Mestre Itapoan, um dos maiores responsáveis pela disceminação da filosofia e dos conhecimentos de seu Mestre e da Capoeira Regional pelo mundo da Capoeira. Mestre Itapoan comandando a parte teórica e histórica da Regional, e o saudoso Mestre Eziquiel preparando os esquetes dos jogos de Iuna, Banguela e São Bento Grande, como também, das sequências e balões ensinados no CCFR. A figura humilde, alegre e amiga de Mestre Eziquiel sempre foi uma porta aberta para qualquer pessoa interessada em aprender um pouco mais. No passado, a voz marcante, com um estilo único de interpretar, fez dele um dos maiores cantadores e compositores da Capoeira, enquanto, no presente, a saudade e o vazio deixados por sua partida o tornam uma das maiores presenças em nosso meio. —Relíquias do Mestre Ezequiel
Olhei pro mar, pra não me perder de vista E vi uma onda solitária, correndo sem quebrar Como se fosse ela uma surfista A onda olhou pra mim, me convidou jogando a sua crista Abrindo os braços como ninguém abre E eu que não sou Cristo, mas entendo de milagre Fui andando sobre as águas do jeito que só quem conhece sabe
Aloha! Salve Jorge! Salve Gabriel! Aí, o mar subiu Jorge Subiu. Tão dizendo que tá 15 pés E olha essa praia que beleza Que beleza, que sereia, maravilhosa
REFRÃO Acorde num domingo, tome seu café Pegue a sua prancha, tome a benção à mãe Reze com fé e vai pro mar
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Mar doce lar, vasto e profundo, mais vasto é o meu coração Que não cabe nesse mundo e precisa transbordar Navegar não é preciso, é preciso surfar Nada parado, tudo em movimento O chão é a parede e é o teto ao mesmo tempo A parede desabando e eu lá dentro, acelero e acelera o batimento Tanto bate até que fura, água mole em pedra dura Cada louco tem a sua loucura Eu viajo por isso, quase sempre sem visto A sereia me chama, eu não resisto Sei que cada feiticeira tem a sua maneira de transformar Uma laje de pedra em ouro maciço, parece feitiço A sereia me chama, eu viajo por isso
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REFRÃO
Cheguei na praia, olhei pro mar, entrei no mar Entrei no mar, olhei pra onda, entrei na onda Entrei na onda e fiz a onda até a areia Entrei na onda que corre na minha aldeia A minha onda não é uma onda qualquer Da minha onda eu saio de cabeça feita E na areia uma sereia com pernas de mulher Mais perfeita do que a onda mais perfeita Adivinhava o meu futuro com os seus óculos escuros Me filmando nas esquerdas e direitas Cheguei na areia e a sereia entrou no mar E só de onda eu me deitei onde ela deita Tubarão em pele de cordeiro, um ataque de surpresa Predador virando presa, uma sereia com pernas de mulher Perfeição ou perversão da natureza?
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Demorou Mar tava bom? Ficou melhor, chegou Jorge Benjor Solitário Surfista não tá mais só Muito obrigado, mar, por isso tudo Meu amigo Gabriel, que maravilha É isso aí cumpadre (...)