Uma vez admitidos dois fatos: que o devir não tem fim e que não é dirigido por qualquer grande unidade na qual o indivíduo possa mergulhar totalmente como num elemento de valor supremo, resta só uma escapatória possível: condenar todo esse mundo do devir como ilusório e inventar um mundo situado no além, que seria o mundo verdadeiro. Mas, logo que o homem descobre que este mundo não é senão construído sobre as suas próprias necessidades psicológicas e que ele não é de nenhum modo obrigado a acreditar nele, vemos aparecer a última forma do niilismo, que implica a negação do mundo metafísico e que a si mesma se proíbe de crer num mundo verdadeiro. Alcançado este estado, reconhecemos que a realidade do devir é a única realidade e abstemo-nos de todos os caminhos afastados que conduziriam à crença em outros mundos e em falsos deuses - mas não suportamos este mundo que não temos já a vontade de negar. (...) Que se passou portanto? Chegámos ao sentimento do não valor da existência quando compreendemos que ela não pode interpretar-se, no seu conjunto, nem com a ajuda do conceito de fim, nem com a do conceito de unidade, nem com a do conceito de verdade. Não chegamos a nada, não logramos coisa nenhuma dessa espécie; a unidade global não aparece na pluralidade do devir: o carácter da existência não é o de ser verdadeira, mas o de ser falsa (...) não há razão alguma para nos persuadirmos de que existe um mundo verdadeiro. (...) Em suma, as categorias de fim, de unidade, de ser, graças às quais demos um valor ao mundo, retiramos-lhas e o mundo parece ter perdido todo o valor.
"Se a todos nós fosse concedido o poder, como num passe de mágica, de ler a mente uns dos outros, suponho que o primeiro efeito seria que quase todas as amizades se desfariam. O segundo efeito, entretanto, poderia ser excelente, pois um mundo sem amigos seria sentido como intolerável, e nós teríamos de aprender a gostar uns dos outros sem a necessidade de um véu de ilusão para esconder de nós mesmos que não nos consideramos uns aos outros pessoas absolutamente perfeitas. Sabemos que os nossos amigos têm as suas falhas, e que apesar disso são pessoas de um modo geral aprazíveis das quais gostamos. Consideramos intolerável, no entanto, que tenham a mesma atitude conosco. Esperamos que pensem que, ao contrário do resto da humanidade, nós não temos falhas. Quando somos compelidos a reconhecer que temos falhas, tomamos esse fato óbvio com demasiada seriedade."
(Bertrand Russell, in 'A Conquista da Felicidade')
John Lennon (1940-1980) foi um músico inglês, líder e guitarrista da maior banda de rock de todos os tempos, The Beatles. Sua canção "Imagine" se tornou uma espécie de hino à paz mundial.
John Lennon nasceu em Liverpool, Inglaterra. Na adolescência, liderou a banda The Quarrymen, que pouco tempo depois, seria integrada também por Paul McCartney, seu parceiro em inúmeras canções com os Beatles. De 1962 a 1970, John Lennon viveu o sucesso da beatlemania pelo mundo inteiro, revolucionando costumes e compondo junto com Paul McCartney músicas que sempre figuravam entre as 5 canções e álbuns mais vendidos da década de sessenta. Em 1966, John Lennon conheceu a artista plástica japonesa Yoko Ono, na época que era casado com Cynthia Powell. Lennon casou-se com Yoko em 1969 e aproveitando-se da ocasião, fizeram uma campanha a favor da paz, ficando um mês na cama. O evento foi intitulado de Bed-in e serviu de mote contra a guerra do Vietnã. Com o fim dos Beatles, em 1970, Lennon já tinha causado polêmica com o álbum "Two Virgins", cuja capa, aparecia ele e Yoko nus. Nos anos 70, o casal participou de movimentos e campanha contra a guerra do Vietnã e se juntou a ativistas como Jerry Rubin, Abbie Hofmann e Angela Davis, o que lhe causou sérios problemas com o governo americano. Após um período de separação com Yoko, Lennon reconciliou-se com ela, e conseguiu o visto de permanência nos EUA. Depois de 5 anos de reclusão, voltou a lançar um álbum, o “Double Fantasy”, em 1980. Porém, é assassinado em frente ao seu prédio por um fã maluco, Mark David Chapman, causando a maior comoção da história do pop-rock. Algumas canções, tanto com os Beatles como as compostas em carreira solo, levam a sua marca pessoal: “Help”, “In My Life”, “Strawberry Fields Forever”, “Across the Universe”, “Come Together”, “Give Peace a Chance”, “Instant Karma”, "Mother, “Imagine”, “Happy Xmas” “Mind Games” e “Woman”. (fonte: E-Bio)