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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Meu Quintana, os teus cantares



Não são, Quintana, cantares:
São, Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares.
Onde as lágrimas são mares
De amor, os teus quintanares.

São feitos esses cantares
De um tudo-nada: ao falares,
Luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares

Ao ar dos melhores ares,
Pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso peço não pares,
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares.


Manuel Bandeira

ARTE DE AMAR

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Manuel Bandeira

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A moça mostrava a coxa

A moça mostrava a coxa,
a moça mostrava a nádega,
só não mostrava aquilo
- concha, berilo, esmeralda -
que se entreabre, quatrifólio,
e encerrra o gozo mais lauto,
aquela zona hiperbórea,
misto de mel e de asfalto,
porta hermética nos gonzos
de zonzos sentidos presos,
ara sem sangue de ofícios,
a moça não me mostrava.
E torturando-me, e virgem
no desvairado recato
que sucedia de chofre
á visão dos seios claros,
qua pulcra rosa preta
como que se enovelava,
crespa, intata, inacessível,
abre-que-fecha-que-foge,
e a fêmea, rindo, negava
o que eu tanto lhe pedia,
o que devia ser dado
e mais que dado, comido.
Ai, que a moça me matava
tornando-me assim a vida
esperança consumida
no que, sombrio, faiscava.
Roçava-lhe a perna. Os dedos
descobriam-lhe segredos
lentos, curvos, animais,
porém o maximo arcano,
o todo esquivo, noturno,
a tríplice chave de urna,
essa a louca sonegava,
não me daria nem nada.
Antes nunca me acenasse.
Viver não tinha propósito,
andar perdera o sentido,
o tempo não desatava
nem vinha a morte render-me
ao luzir da estrela-dalva,
que nessa hora já primeira,
violento, subia o enjoo
de fera presa no Zôo.
Como lhe sabia a pele,
em seu côncavo e convexo,
em seu poro, em seu dourado
pêlo de ventre! mas sexo
era segredo de Estado.
Como a carne lhe sabia
a campo frio, orvalhado,
onde uma cobra desperta
vai traçando seu desenho
num frêmito, lado a lado!
Mas que perfume teria
a gruta invisa? que visgo,
que estreitura, que doçume,
que linha prístina, pura,
me chamava, me fugia?
Tudo a bela me ofertava,
e que eu beijasse ou mordesse,
fizesse sangue: fazia.
Mas seu púbis recusava.
Na noite acesa, no dia,
sua coxa se cerrava.
Na praia, na ventania,
quando mais eu insistia,
sua coxa se apertava.
Na mais erma hospedaria
fechada por dentro a aldrava,
sua coxa se selava,
se encerrava, se salvava,
e quem disse que eu podia
fazer dela minha escrava?
De tanto esperar, porfia
sem vislumbre de vitória,
já seu corpo se delia,
já se empana sua glória,
já sou diverso daquele
que por dentro se rasgava,
e não sei agora ao certo
se minha sede mais brava
era nela que pousava.
Outras fontes, outras fomes,
outros flancos: vasto mundo,
e o esquecimento no fundo.
Talvez que a moça hoje em dia...
Talvez. O certo é que nunca.
E se tanto se furtara
com tais fugas e arabescos
e tão surda teimosia,
por que hoje se abriria?
Por que viria ofertar-me
quando a noite já vai fria,
sua nívea rosa preta
nunca por mim visitada,
inacessível naveta?
Ou nem teria naveta...

Carlos Drummod de Andrade 

O tempo passa ? Não passa

O tempo passa ? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

Quero



Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amo, amo,amo,amo,amo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

domingo, 7 de outubro de 2012

Amigas verdadeiras, amigas irmãs...

Daquelas que cuidam da beleza uma da outra,

que choram uma no colo da outra,

do tipo que come do mesmo prato e no mesmo prato se nescessário...

Somos francas...

Estamos em sintonia.

Umaa amizade real!

Mesmo quando bate a saudade...

Aquela distancia que incomoda.

Mesmo nos momentos de desapontamento.

Real, sincera e inabalável

Nossa força vem acompanhada de uma mão que nos alivia o jugo.

Mesmo nos momentos de rivalidade estamos juntas na alma.

"Ainda estou aqui...

Tua força me sustenta.

Entendas meu afeto e aceite meu carinho.

Não guardes magoas minhas,

seja sempre minha parceira.

Amigas de Maio




Companheira a vida nos aguarda...

Sempre espreita nossas almas.

Tua amizade me ilumina a vida.

Como margaridas na janela...

Quero ver-te feliz, sorridente, cantarolando sua música favorita.

Quero sempre te encontrar, te revelar meus segredos, intimos e profundos.

Quero te servir de apoio quando precisares, de uma Amiga!"

Rosangela Ataide

O poder da amizade

Existem momentos em suas vidas que precisam se preservar e que suas amizades sejam limitadas e escolhidas a dedo. Lembrando que não pode desperdiçar novas amizades, afinal vivemos de oportunidades e, também precisamos criá-las quando não nos surgem. Você tem que gostar do bom gosto... gostar de pessoas reais... fazer qualquer coisa para não perder uma amizade. Tem que saber quando dizer ‘TE AMO’,mas também tem que saber dizer ‘NÃO TE CONHEÇO’ ou ‘JÁ TE CONHECI’ e, isso vai depender de como agirão com você. Tem que ser real, jamais ser grosso e, acima de tudo, ser verdadeiro. Tem quer ser alguém que luta pelo melhor da vida, não só pelo que almeja, mas também ajudar a quem possa ajudar e precise de ajuda, embora desconheça-o(a ). Faça o melhor e dêem sempre o melhor - não exija nada em troca, apenas exija que cada um reconheça os valores que são lhes dados e q saiba retribuir, e/ou agradecer com generosidade. As suas atitudes nunca e jamais deverão depender das dos outros(jamais faça algo se baseando em outro alguém. jamais se troque pelo troco de valores inferiores), não que você seja melhor do que ninguém, mas quando se trata de denegrir a imagem e/ou o estado físico de alguém, seja sim, melhor, porque você não tem esse vício e, sua personalidade, bem como seu caráter não se adaptam a esse mal que atinge boa parte da população... aceite sua vida da forma de como ela lhe acontece... embora muitos digam, inclusive muitos filósofos já disseram q: ‘’o nosso destino é tentar mudar o nosso próprio destino’’. Em parte isso é verdade, em outra, não. Sabe-se que cada um tem visões diferenciadas das coisas que lhes acontecem na vida... goste da simplicidade... do realismo... não goste do 'talvez'... goste da certeza do 'sim' ou do 'não, goste do que seja uma solução e não uma dúvida. Odeiem o 'quase' também... são situações que lhes deixam escapar oportunidades que passam pelas pontas dos dedos e não conseguem-se pegá-las.
É por conta de um 'quase' que algo bom pode deixar de lhe acontecer... é por conta de um 'talvez' que você fica indeciso... dentre tantas coisas. Não seja do tipo que passa por cima de tudo para conseguir o que deseja, apenas passe pelo que é necessário e correto pra ter em mãos o que almeja, ou melhor, o que necessita, afinal um desejo não é uma necessidade. Deus lhe dá o que necessita e não o que deseja – desejo é uma coisa passageira, e a necessidade é o que se precisa para a progressão de sua vida.
Às vezes seja crítico, mas sempre com críticas que sejam levadas pelo lado bom de tudo e todos. Goste de críticas, mas aquelas q sejam construtivas. Se alguém quer discutir um fato, então que debata com discernimento, que saiba fazer com que suas idéias correspondam com a verdade, com realidade da coisa/do fato etc. sejam igual a todo mundo, só que com umas visões das coisas de modo diferente - com algo que lhe torne único e de modo que seja visto como pessoa, sem transmitir medo ou receio de alguém se aproximar de você. Assim como você quer chance, então tem que dar chance.
Não tenha uma vida como um livro aberto, mas garanta que, quem lê-lo, irás lhe conhecer, basta que freqüente sua biblioteca(que faça parte de sua vida).

Jozaphar Scoocy

Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência.

Será amizade? Será saudade comum dos anos vividos em amizade?
Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade
que se espraia no tempo?
Não sei responder. Sei que com algumas pessoas (poucas),
há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar idéias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do "ser aceito".

Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões.
Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos,
o fermento da amizade.

O mistério da amizade talvez resida no alívio
que traz a existência de alguém que nos acolha.
Digo acolha e, não, recolha
aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro.

Acolher significa receber de bom grado, previamente,
sem julgamentos ou resistências.
É molesto o fato de que os seres humanos
vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham
barreiras na comunicação, dificultando-a.

O mistério da afinidade consiste na inexistência
das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância.
Isso não deriva apenas de afeto.
Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém,
a aceitação natural, espontânea e prévia?

Verifique nas amizades tidas e vividas ao logo da vida,
o que delas restou.
Haverá muita vivência, boa e má.
Raramente, porém, restará a amizade...

Com os anos, vão se tornando escassas as amizades
que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio
sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto,
após ingentes experiências humanas e existenciais,
apenas (e já é tanto...) a amizade.

Amizade é o que resta da amizade.
Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é.
Da verdadeira!

PaULoZiNhUUU

Recomeçar

Chegou à hora de recomeçar
Rever conceitos
Avaliar amizades
Eliminar definitivamente os fantasmas do passado
Se cobrir em um casulo
E apenas renascer
Um novo “EU”
Alguém melhor
Um alguém mais forte
Com coragem para enfrentar todos os apocalipses
E encontrar o maior e mais belo amor...
O amor próprio
Como disse Mario Quintana em seu poema, o segredo não e correr atrás das borboletas,
É cuidar do jardim para que elas venham ate você!

Recomeçar do zero
Corrigir defeitos
Aprimorar qualidades
Realizar seus sonhos
Correr atrás do que é importante para você
Vencer a maior de todas as batalhas, a contra você mesmo.
A muitos dragões para serem enfrentados...
E muitas princesas a serem resgatadas de suas torres,
Só não posso mais esquecer de verificar se elas querem mesmo ser resgatadas
Não enfrente dragões que não valham à pena
Sofre-se muito nessas batalhas.

É difícil resumir mais deixo aqui um final que na verdade é apenas o inicio
Mais que nunca aprendi que ser eu mesmo é mais fácil, porque um dia a marcara cai e talvez a verdadeira face assuste alguns...
Que Deus me de forças para fazer essa faxina geral no meu jardim... Talvez de certo, pois o maior dos jardineiros é meu Deus, mais sei também que é meu melhor AMIGO!

Cleidson Amorim

Poema do amigo aprendiz

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos. 
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

Pe. Zezinho SCJ