Pesquisar sobre postagens antigas do Blog

Siga o Blog, nas redes sociais

domingo, 7 de outubro de 2012

Isto é Arte Popular Brasileira



Apesar de não ser do meu tempo esta musica me reflete sobre a sua vida , apesar de Tom Jobim ser considerado um dos maiores músicos brasileiros a Musica Águas de Março é também um recomeço de uma nova vida .

Quando eu escreveu esta musica , Tom Jobim passava por uma fase ruim e como a musica sita no final "São as águas de março fechando o verão , É a promessa de vida no teu coração", acabou se tornando um recomeço na carreira musical que acabou se tornado um sucesso não só no Brasil , como em várias partes do mundo .



Águas de Março
Tom Jobim



É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, pedra, fim, caminho
Resto, toco, pouco, sozinho
Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

DEBORAH

Eu li a sua carta, eu tenho o dia apenas o outro ... 
Você parece tão feliz, tão engraçado ... como o tempo se derrete
É um prazer, ver você crescer
E como você enviar o seu amor ao ar hoje.

Eu acho que do céu ... cada vez que te vejo andando lá
E como você está andando, eu penso em todas as crianças
É em seu signo ... você cada vez mais forte
Eu não posso acreditar que você ... tão bom para cuidar.

Através de encantamento, a luz solar
toque de Angel ... seus olhos ...
Sua Alteza ... elétrica ... surpresa assim
é a vida o seu primeiro ...?
Parece que você tem ao vivo antes.

Você me ajuda a segurar ...
Você tem um coração como uma porta aberta
Você canta tão docemente ... meu amor te adora
Ela, ela está pensando em você agora
eu sei ...

O verão está chegando ...
Eu vou manter contato para que você não está sozinho
Então, como a andorinha, você vai voar como os pássaros voaram
Então deixe-me dizer-lhe o quanto ... Eu te amo
Eu faria os pássaros cantam ... para você de novo ...
Bem, agora é boa noite ...
Sweet Angel ... ler esta carta ...
Bem.

AS BORBOLETAS


(Vinícius de Moraes)

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam

Na luz

As belas

Borboletas

Borboletas brancas

São alegres e francas.


Borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então…

Oh, que escuridão!

COLAR DE CAROLINA


(Cecília Meireles)

Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina.

O CAVALINHO BRANCO


(Cecília Meireles)
.
À tarde, o cavalinho branco

está muito cansado:

mas há um pedacinho do campo
onde é sempre feriado.

O cavalo sacode a crina
loura e comprida

e nas verdes ervas atira
sua branca vida.

Seu relincho estremece as raízes
e ele ensina aos ventos

a alegria de sentir livres
seus movimentos.

Trabalhou todo o dia, tanto!
desde a madrugada!

Descansa entre as flores, cavalinho branco,
de crina dourada!

A PIPA E O VENTO


(Cleonice Rainho)

Aprumo a máquina,
dou linha à pipa
e ela sobe alto
pela força do vento.

O vento é feliz
porque leva a pipa,
a pipa é feliz
porque tem o vento.


Se tudo correr bem,
pipa e vento,
num lindo momento,
vão chegar ao céu.

A FOCA

(Vinicius de Moraes)

Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz.

Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha.

Quer ver a foca
Fazer uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga!

OU ISTO OU AQUILO


(Cecília Meireles)

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!


Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!


Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.


É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!


Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.


Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!


Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.


Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

A LAGARTIXA

(Da Costa e Silva)

A um só tempo indolente e inquieta, a lagartixa,

Uma réstia de sol buscando a que se aqueça,

À carícia da luz toda estremece e espicha

O pescoço, empinando a indecisa cabeça.

.
Ei-la aquecendo ao sol; mas de repente a bicha

Desatina a correr, sem que a rumo obedeça,

Rápida num rumor de folha que cochicha

Ao vento, pelo chão, numa floresta espessa.

.
Traça uma reta, e pára; e a cabeça abalando,

Olha aqui, olha ali; corre de novo em frente

E outra vez, pára, a erguer a cabeça, espreitando…

.
Mal um inseto vê, detém-se de repente,

Traiçoeira e sutil, os insetos caçando,

A bater, satisfeita, a papada pendente…

Geometria dos ventos

Eis que temos aqui a Poesia, 
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema Geometrida dos Ventos de Álvaro Pacheco)

Rachel de Queiroz