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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As sem-razões do amor



Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR



Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.

Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.
Carlos Drummond de Andrade

Para sempre



Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

José




E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 31 de julho de 2012

Pensamento

sabentes que uns dia estava pensando como a vida é representanda é como uma "caixinha de surpresa ", quando você pensa que ira ficar sozinho , pois acha que alguma coisa em seu redor vai mudar e vai acabar te atingindo ela te da outra coisa para que não se sinta sozinho , para mim foram uma nova familia , uns colegas muitos especias e as letras pois com ela consigo me expressar muito , mais e falar o que eu realmente sinto no papel ....

Frase

Existem muitas lendas sobre o filósofo grego Diógenes (412–323 a.C)

Separamos algumas

Quando Filipe, rei da Macedônia invadiu a Grécia avaliando entre os prisioneiros aquele homem excêntrico, perguntou-lhe:


- Sabes quem sou? Ao que o filósofo respondeu:

- Um observador de tua ambição.

Impressionado, Filipe mandou soltá-lo.

----------------------------------------/------------------------------------
- Eu sou Alexandre, o Rei. Pede-me o que desejares. Ao que Diógenes responde com impaciência:

- Sai-te da frente do meu Sol.

Alexandre recriminou: “Não me temes?” E Diógenes acrescentou: “Sois o Bem ou o Mal? “Sou o Bem”, disse Alexandre. “E porque temeria o Bem?”, concluiu o filósofo.

Tamanha a admiração que Alexandre Magno se tomou por Diógenes que costumava afirmar que se não fosse Alexandre queria ser Diógenes.
-------------------------------------------/-------------------------------------
Certa vez, vendo um menino bebendo água na concha da mão quebrou a caneca afirmando... Um menino me deu uma lição de simplicidade.
------------------------------------------/-------------------------------------
Era notória a ironia como Diógenes criticava Platão e sua filosofia. Certa vez freqüentando um banquete que Platão oferecia, pisando nos ricos tapetes da residência de Platão afirmou com malícia:

- Piso no orgulho de Platão... Ao que Platão retribuiu:

- Com outra espécie de orgulho...

Educação 3



O meu tesouro é um livro ;)


Pra se contar uma história

Foto: Pra se contar uma história

Pra se contar uma história
há-de se vestir de história.
Pra se vestir de história
há-de se despir da própria pele
se tatuar de gestos largos e comedidos
se impregnar de sons e cheiros
ter no olhar o brilho das estrelas
e o escuro do poço mais fundo
- sem perder as nuances, todas elas
que habitam entre o clarão e o escuro!

Pra se contar uma história
há-de se mergulhar nela
sem medo de morrer afogado
há-de se levá-la às alturas
sem medo de despencar do alto.

Pra se contar uma história
há-de se inventar palavras
há-de se despertar choro
há-de se acender risos
sem se dar por isso.

Pra se contar uma história
há-de se cantar cada palavra
com gosto de palavra nova
e cada palavra nova
o som dos sinos trazer consigo
a ecoar desde o sempre até ao infinito
fundindo silêncio e grito
de toda memória...

Por Batista Filho
Pra se contar uma história
há-de se vestir de história.
Pra se vestir de história
há-de se despir da própria pele

se tatuar de gestos largos e comedidos
se impregnar de sons e cheiros
ter no olhar o brilho das estrelas
e o escuro do poço mais fundo
- sem perder as nuances, todas elas
que habitam entre o clarão e o escuro!

Pra se contar uma história
há-de se mergulhar nela
sem medo de morrer afogado
há-de se levá-la às alturas
sem medo de despencar do alto.

Pra se contar uma história
há-de se inventar palavras
há-de se despertar choro
há-de se acender risos
sem se dar por isso.

Pra se contar uma história
há-de se cantar cada palavra
com gosto de palavra nova
e cada palavra nova
o som dos sinos trazer consigo
a ecoar desde o sempre até ao infinito
fundindo silêncio e grito
de toda memória...

Por Batista Filho