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domingo, 10 de fevereiro de 2013

A Escada



Imagine uma escada. Do jeito que penso, ela seria uma escada de degraus da cor da própria madeira de que seriam feitos.
Acima, no próximo andar, tudo que se vê é escuridão. Dos lados, também.
Tão somente a escada, em seus tons de sépia e escuridão envolvente.
Os degraus não ficam firmes, eles se movem de um lado para o outro, sem padrões, simplesmente vão se movendo, ora mais devagar, ora com mais vigor.
Daí segue que, para subir essa escada, e alcançar o mistério do negrume que há no piso acima, tem que se tomar um cuidado imenso. E não pense que você tem a opção de não subir.
É preciso que se suba. É preciso, e você sabe disso, chegar lá em cima e desvendar o mistério que há naquele lugar, pois toda a escuridão é um imenso mistério.
Do piso em que você se encontra, há apenas uma pequena parte de chão para que você coloque os pés e se deite para descansar, eventualmente. Ao redor, todo o precipício.
Então não é possível que você consiga se divertir e se satisfazer com as escassas possibilidades que esse minúsculo pedaço de chão tem a oferecer.
Você precisa subir.
Mas lembre-se: os degraus da escada se movem de um lado para o outro, em movimentos surpreendentes.
Pois, é preciso tomar muito cuidado. E saiba que o primeiro degrau vai ser o mais difícil de subir.
A sabedoria que é necessária para galgar o próximo passo em direção ao chão mais elevado, virá com calma e observação. Você primeiro precisa conhecer as nuances e detalhes do degrau em que você se encontra. Vai demorar um bom tempo para você se acostumar com cada novo degrau.
Mas não tenha medo. Continue subindo, não se conforme em voltar para aquele piso frio em que você dormia.
Suba a escada, com toda a dificuldade que você encontrar. E aquela escuridão do fim da escada, do segundo andar, pode ser que te recompense com o cair do véu do mistério ali existente.

(Texto por 'No fim das palavras'-blog)