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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Operação da polícia já provocou prejuízo de R$ 2 milhões ao jogo do bicho no Rio



A Polícia Civil apreendeu até as 10h desta sexta-feira (16) aproximadamente R$ 2 milhões em joias, computadores, automóveis e dinheiro durante a operação Dedo de Deus, que já prendeu 44 pessoas suspeitas de envolvimento com o jogo do bicho no Rio de Janeiro. Entre os materiais apreendidos, estão um Cadillac SRX4, um Ford Fusion e um Range Rover, que seriam de Luiz Pacheco Drumond, mais conhecido comoLuizinho Drumond, presidente da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. Ele é apontado como responsável pelo jogo do bicho na zona portuária do Rio. Os agentes obtiveram informações de que Luizinho estaria escondido em Cahoeiras de Macacu, na região serrana.

As buscas recomeçaram às 5h30 desta sexta. Os agentes percorriam a Baixada Fluminense, a zona sul e a região das baixadas litorâneas.



No total, 44 pessoas foram presas. A polícia apreendeu 39 computadores da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis. A ação acontecia no Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e Pernambuco. Segundo a Polícia Civil, por volta das 18h20 de quinta, foram cumpridos 39 dos 60 mandados de prisão. Cinco pessoas foram presas em flagrante.

Ainda de acordo com a polícia, os computadores apreendidos serão analisados para verificar se há documentos que comprovem o envolvimento da escola de samba com o jogo do bicho.

Procurada pelo R7, a assessoria de impresa da Beija-Flor informou que todos os computadores, inclusive do departamento de criação, foram apreendidos, mas que isso não irá atrapalhar o esquema do Carnaval, já que a escola tem cópia de todos os arquivos.

Prisões e apreensões

Entre os presos está o ex-prefeito da cidade de Teresópolis, Mário Trincano, apontado como chefe do jogo ilegal na região serrana. Também foram presos dois policiais militares e um guarda municipal da cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Na noite de quinta-feira, o comissário da Polícia Civil Eduardo Murilo Dantas Sampaio, conhecido como Dudu, da Delegacia de Vilar dos Teles (64ª DP), se apresentou à polícia. Ele recebeu dinheiro para que a delegacia não fizesse operações de repressão ao jogo de bicho em São João de Meriti, na na baixada, o que, segundo o MP, de fato aconteceu.

Além dos computadores, os agentes também apreenderam R$ 115 mil na Beija-Flor. A polícia apreendeu ainda aproximadamente R$ 517 mil, oito carros, entre eles um Cadillac, assim como documentos e joias.

Dedo de Deus

De acordo com o delegado Glaudiston Galeano Lessa, da Coinpol (Corregedoria Interna da Polícia Civil), as investigações da operação Dedo de Deus começaram há um ano a partir de denúncias de comerciantes que estariam sendo coagidos a manter pontos de apostas do jogo do bicho em seus estabelecimentos.

- De acordo com as denúncias, policiais estariam participando dessa coação. Os policiais envolvidos com a quadrilha também atuavam na liberação de material e pessoas durante operações policiais e com o vazamento de informações sobre ações de combate ao jogo. Durante operações, eles apresentavam apenas material que não comprometiam os investigados e prendiam pessoas de pouca relevância na organização, liberando as pessoas realmente importantes.

O policial civil que teve a prisão decretada trabalhava na Delegacia de Vilar do Teles (64ª DP). Até o meio-dia ele não havia sido encontrado. Já o guarda municipal estava cedido e trabalhava na Delegacia de Duque de Caxias (59ª DP). Entre os chefes do jogo que tiveram a prisão decretada, apenas o ex-prefeito de Teresópolis foi preso.

Os outros contraventores do jogo procurados são presidente de honra da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, o Anísio, que atuava na Baixada Fluminense, principalmente em Nilópolis, Mesquita e Queimados; Hélio Ribeiro, que é presidente administrativo da escola de samba Grande Rio e atua na área de Duque de Caxias, também na baixada; Iude Soares, que também é ligado à Grande Rio e age na mesma região; além de Luizinho Drumond, que é responsável pela exploração do jogo na Leopoldina e zona portuária.

O delegado Glaudiston também explicou que a quadrilha era dividida em seis células, que agiam nas regiões de Rio de Janeiro, São João de Meriti, Duque de Caxias, Petrópolis, Nilópolis e Teresópolis. O grupo movimentava dezenas de milhares de reais por mês.

- As pessoas que tiveram a prisão decretada pertencem ao primeiro escalão da organização e que também atuam como intermediários até os apontadores. São pessoas que agem na parte administrativa e logística da quadrilha, como responsáveis por centrais de apuração, pessoas que levavam e distribuíam materiais, entre outras atividades.

Todas as pessoas presas vão responder pelos crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, formação de quadrilha e jogo de bicho.

O delegado Felipe do Vale, da Coinpol explicou que o ex-prefeito de Teresópolis mantinha o monopólio do jogo na região Serrana e que ele e Anísio, patrono da Beija-Flor de Nilópolis, mantinham até negócios em comum.

As buscas acontecem em vários bairros do Rio de Janeiro, como Copacabana, na zona sul, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Policiais também foram ao barracão da Beija-Flor, na Cidade do Samba, na zona portuária.

Por volta das 6h45, um helicóptero blindado da polícia civil parou sobre uma luxuosa cobertura em Copacabana e os policiais desceram até o imóvel.

Participam da operação cem delegados, cinco promotores de Justiça e mais de 700 agentes da Polícia Civil.